Danilo e Paulinho, os silêncios decisivos do Timão



No Corinthians ganha-tudo destes anos que correm dois caras merecem menção especial. Danilo e Paulinho são casos sérios, meus amigos. Aplausos para estes sujeitos. Decidem muito, propagam pouco. São os come-quietos da bola em uma era em que a imagem é a mãe de todos. Repito, sem precisar de megafone: eles decidem. São pragas para os adversários. São bálsamo para os fieis corintianos. São a pedra de toque desse time que vem enfileirando títulos. A iminente saída do volante deveria fazer os apaixonados cantarem: “O que será da minha vida sem o seu amor?”. O meia, que parece corcunda e lento, é a precisão dos gramados. Se for jogo decisivo chama o cara e esquece os problemas. É garantia de solução. E ele nem parece ter a presunção disso tudo, com jeito caipira, na fala mansa que quase dorme.

Assusta como estão sempre resolvendo paradas. Dão respostas nos jogos prenhes de interrogação. Tá difícil, mas existem eles. Pato tem a fama, eles têm a manha. Não há equações que os compliquem, reparem. O volante surge, de repente, como atacante. Troca de pele, larga o meio e situa-se na área. O meia dá as costas para tela, protege a bola e, quando a bola sobra, propõe a ela curvas muito específicas. São esfinges: anula-me ou te devoro! E, no final, são os adversários devorados. Quantas decisões têm nos seus pés? Eles decidem, já disse, para irritação dos goleiros.

Nos times de sucesso coletivo sempre há os corações individuais. Essa dupla inscreve-se no quesito. É o tatibitati desse Corinthians. Muita gente, intrigada com a facilidade que alguns têm de acessar a Seleção, não entendem como Danilo é esquecido sempre nas listas brasileiras. Tem razão estes. Tanta gente amorfa já vestiu a amarelinha. Um cara que tanto decide, que conclui destemido, que toma o jogo para si sem alarde, não merecia os tais testes? Paulinho, nesse assunto, não permite injustiças. É figura carimbada nas convocações. Há algum juizo nessa estrada, pois…

Paulinho está na infância da carreira. Danilo já caminha no trecho final. Eis uma diferença a se assinalar. O primeiro encorpa-se para um futuro europeu e na Seleção. O segundo acumula títulos e silêncios. Ambos fazem jus à deferência das arquibancadas alvinegras. Deram muito ao clube de multidão.



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