Aqui é labor, seu Adenor! O trabalho de Tite desfaz Muricy



‘Aqui é trabalho, meu filho!’. Eis o bordão atrelado a Muricy (para o bem e o mal das gozações)! Mas trabalho mesmo, sem deméritos dos títulos pretéritos do atual técnico santista, é o de Tite. Multicampeão no Corinthians com padrão, razão e doses motivacionais. O treinador cuja entonação e gesticulação em entrevistas lembra esses pastores midiáticos a arrebanhar fieis, com olhar cheio de fogo, subiu a escada, independente da desordem: Paulista, Brasileiro, continental e mundial. E tudo isso com uma equipe que funciona, fruto de suor de concepção e atitude. Mesmo que o time da safra 2013, com elenco superior, não seja tão confiável quanto a do ano passado, o fato é que no geral é um belo trabalho. De Hércules e de Apolo. Talvez pudéssemos adaptar o bordão para o Titês: Aqui é labor, seu Adenor!

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, publicada neste domingo de decisão, Muricy disse que ganha títulos difíceis. Mas difíceis foram mesmo os desafios de Tite nesses anos. A começar por uma eliminação vexatória para o até então desconhecido Tolima, da Colômbia, na fase prévia da Libertadores. Se quando chegou ao clube já veio questionado pelos anos de ostracismo, o técnico viu o monstro aumentar após essa eliminação que despertou o saco de risadas dos rivais. Ele resistiu, com a elogiável e rara bênção da direção corintiana, e no ano seguinte conquistou a taça mais sonhada por 11 entre dez corintianos. Esvaziou a fonte de piadas dos anticorintianos e encerrou o trauma dos torcedores. Meses depois, fisgou o Mundial no Japão e fez o bando de loucos se embriagar do outro lado do mundo. Os troféus domésticos também tiveram suas dificuldades, em especial este estadual em que a equipe decidiu sempre na casa inimiga na fase eliminatória – Ponte Preta, São Paulo e Santos.

O mais importante na comparação, neste mundo da bola em que os treinadores tiveram sua importância de certa forma inflada, é que taticamente Tite mostrou mais trabalho que Muricy, meus filhos! O Santos chegou à sua quinta final consecutiva de Paulistão sabe-se lá como, graças à perícia de pegador de pênaltis do goleiro Rafael, uma tabela acessível e camisa, muita camisa. Um time esparramado em campo, dependendo excessivamente do brilho de Neymar e das boladas paradas – fetiche de seu treinador desde épocas distantes. No ano passado, o Corinthians de Tite era uma equipe cirúrgica, uma naja a dar o bote na hora certa. Um time, como alguns que vez por outra aparecem no futebol, que vencia na conta do chá , apertado, mas que dava a quem assiste a certeza, a botar água no chope da caixa de surpresas do futebol, que a vitória seria alvinegra. O gol de Romarinho na Bombonera na final da Libertadores e o de Guerrero na decisão do Mundial, contra o Chelsea, são exemplares ricos dessa cepa.

Há também um trabalho de motivação, muito exaltado aqui e acolá. Jogadores que entendem a filosofia, que compram a ideia de que não há titulares e reservas, embora haja. Um grupo envolvido, uma engenharia desenvolvida e aperfeiçoada. O que faltou no atual Santos. Dizer que Muricy não é vencedor no Santos seria uma cegueira monumental, pois são quatro títulos, entre eles um da cobiçada Libertadores. A comparação, então, tem os feitos como trampolim para algo a mais. Neste ano, o time da Baixada anda aos trancos e barrancos e seu jogo não é compreendido. O Corinthians, por mais que tenha caído de produção, segue com um jogo, um estilo, uma movimentação treinada. Não me levem a mal, mas o trabalho de fato, na comparação, é o de Tite.



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