Messi tira ouro do nariz e o futebol-arte vigora na Europa



messi
Messi decidiu para o Barcelona (FOTO: Lluis Gene/AFP)

Assim que o argentino Javier Pastore fez o gol e emudeceu o Camp Nou, a câmera, antes mesmo da reprodução do replay da jogada, focalizou um compatriota seu amarrando as chuteiras. Tratava-se do tetra vencedor do prêmio de melhor do mundo da Fifa, Lionel Messi. “Agora, acabou a brincadeira!”, pensei. Não que o PSG seja uma galinha morta, muito pelo contrário. Time que tem Zlatan Ibrahimovic, por mais que muitos com ele cismem, não é café pequeno. E os investimentos milionários de um xeque árabe deixaram o time da encantadora Paris fornido de potência. Mas é que as atenções desde o início do jogo estavam votadas para a presença de Messi no banco. Mas é que (2) Messi levita sobre os mortais.

Recuperando-se de lesão, o melhor jogador contemporâneo, um dos melhores da história e postulante a melhor de todos os tempos – há que se comer muita poeira pelo caminho – Messi estava ali, à espreita, para, como um Chapolin sem folclores mostrar sua rica astúcia. “E agora, quem poderá nos defender?”. Ele, claro! Bastou um passe, desses preciosos, lapidares, para a normalidade recolocar-se. Numa jogada em que participou com um toque já fez a diferença. Como vem fazendo ano após ano.

Craque é o que faz a diferença.O jogo coletivo do Barcelona é exaltado e vistoso. Mas o craque é o centro, o umbigo das coisas. Nesta quarta-feira mais uma vez isso foi exposto. O jogo teve nuances, uma delas poderia fazer o destino ser outro. Como aconteceu anteriormente nas eliminações do Barça para a Inter de Milão, em 2010, e Chelsea, no ano passado. É do jogo contrariar prognósticos, lógicas e minicertezas. Mas enquanto o inesperado se produz o esperado, quando de pés geniais, vem em profusão.

As semifinais da Liga dos Campeões terão dois times alemães e dois espanhois. Alemanha e Espanha que têm as duas melhores seleções do mundo, embora não tenham Messi. Barcelona e Real Madri que possuem a base dessas seleções – e bom complemento advém dos dois outros semifinalistas, Borrussia e Barcelona. Países que mantêm parte substancial dos seus pés-de-obra em casa. Bayern e Barcelona que refundaram o jogo do toque de bola. Um, o Barça, mais possessivo e, de certa forma, cadenciado. O outro, lá de Munique, mais veloz, às vezes mais incisivo – não à toa fez 4 a 0 no agregado contra uma Juventus encardida.

Nesta semana não tivemos surpresas. Triunfou o artista da bola. Triunfaram as escolas que no momento sabem fazer do futebol uma arte. Depreende-se daí que a mágica vem derrotando o pragmatismo nestes tempos? Relativo, afinal ano passado o Chelsea, com um jogo mais vigoroso que fantasioso, foi o campeão. Mostra mais que o jogo artístico pode muito bem ter êxito. Hoje e sempre. Melhor para os olhos, para o hedonismo, o prazer supremo que a arte pode oferecer. Longa é a arte, breve é a vida. A ideia de Hipócrates, nascida na Grécia antiga que cultuava a beleza, deve vigorar. Para nossa felicidade. Nas semifinais, tiraremos, à Drummond, ouro no nariz.



  • clodoaldo

    belíssimo texto parabéns!

  • Rogers

    Parabéns pelo texto! Muito bom e bem escrito!

  • Nao sei da onde vc tirou futebo arte no jogo do BARCELONA ??
    O jogo foi triste de ver jogo truncado pegado !!! E o homii num lance decidiu o jogo !!
    E ja faz tempo q o barça perdeu um pouco do brilho !!!
    Aki na europa o povo pensa totalmente diferente de vcs ai no brasil !
    Mas pro tal do brasileiro tudo q ta la fora é melhor !!
    Fazer oq né !!

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