O Verdão se despalmeiriza com ídolo de ‘Barros’



Barcos virou ídolo de “Barros”. O Carnaval durou um ano e a fantasia de Pirata foi rasgada. O tal tamojunto, escrito assim, nos moldes contemporâneos de estupro da lingua, teve a consistência de um pudim envelhecido. Poderia até inspirar a marchinha: “Se o barcos não virar, olê olê olá, eu chego lá”. Não, o Palmeiras, claro, é maior que Barcos e vai chegar sempre lá, com ou sem embarcações. A questão aqui é outra. É o quanto esses amores futebolísticos são frágeis. O desconforto de Barcos por ter que jogar a Segunda Divisão era evidente. A confusa negociação para estender o contrato, ainda no final do ano passado, mostrava isso. Suas inquietações quanto à incerteza de ser convocado para a seleção argentina jogando a Série B também. Humano, demasiado humano, meu caro Nietzche!

O Palmeiras, enorme, se despalmeirizou nessa, agiu como pequeno, não como detentor da quarta maior torcida do país. A transação com o Grêmio mostrou o clube de joelhos para o desejo do jogador e de outro time. Por mais que esse fosse o desejo de Barcos, não tem cabimento, foi dantesco, fazer o acerto sem saber que jogadores aportarão no Alviverde. O gigante Palestra cedeu seu principal jogador quase às cegas, ainda que vá receber uma grana e livrar-se de dívida com a equatoriana LDU. A grandeza não pode ser diminuida assim, como se o pires na mão fosse a vocação palmeirense.

O palmeirense está esgotado dessa despalmeirização. A sequência de lambanças expõe o clube ao ridículo. Ainda mais quando os rivais prosperam – Corinthians é campeão do mundo, o Santos tem Neymar e traça título atrás de título e o São Paulo monta time forte. Ver ídolos se dissolverem é menos doloroso do que ver o clube se curvar. A instituição, óbvio, é precede as pessoas.



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