Ganso e Pato – chance para ‘aves raras’



Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso não têm em comum apenas o apelido oriundo do reino das aves. Ambos, jovens, são abençoados pelo talento e atormentados por insistentes lesões. E é nessa briga de foice entre bênção e tormento que os rivais Corinthians e São Paulo resolveram enfiar a cabeça. As cifras milionárias têm um intervalo considerável – o Tricolor desembolsou 24 milhões de reais por Ganso ao passo que a quase certa contratação de Pato pelo Alvinegro sairá por volta de 40 milões –, porém simbolizam crença semelhante. Representam a fé no craque. A asposta de que a esperança na virtuose vencerá o medo do imponderável. Os sinais emitidos pela musculatura de um e pelo joelho de outro não foram páreo na disputa com a qualidade já demonstrada.

De Pato para Ganso é expressão popular que sugere gradação, evolução, mas no futebol ela não se aplica. Os atletas se equivalem em expectativas, na promessa de futuro que “vendem”. O atacante, guardado a sete chaves nas categorias de base do Internacional, foi vendido ainda adolescente para o Milan como diamante. O meia paraense surgiu no Santos como uma espécie de Zidane tropical, um cérebro para os acéfalos meios de campo contemporâneos. Os corpos têm sido crueis com os rapazes, mas é muito cedo para se falar em obituário futebolístico. A dupla ainda pode alçar voos grandiosos. E é nessa direção que os clubes paulistanos atiram robustas fichas.

Essas muitas semelhanças, porém, não disfarçam uma importante diferença entre os dois. Diferença esta alimentada pelos fatos. A trajetória de Ganso tem sido tumultuada, enquanto que a de Pato, afora fofocas típicas do mundo de celebridades que vivemos, como o desquite com uma atriz global e namoro com a filha do todo-poderoso presidente do Milan, Silvio Berlusconi (a quem interessam essas miudezas?), corre tranquila. E esse aspecto é o único que recomenda mais cautela com um na comparação com o outro. Impossível ignorar como tem sido acidentada a carreira do ex-santista. Sua saída do clube que o revelou deu-se da pior forma possível, com um festival de disse-que-disses e posturas discutíveis. Como confiar que terá serenidade no São Paulo e não irá, daqui um tempo, começar a forçar sua saída para o exterior? Não se trata de condenar o jogador como um Prometeu acorrentado eternamente numa rocha a ter o figado devorado por uma águia (leitor ornitólogo, ajude-me: águias comem gansos?). Mas o ônus de provar que o acontecido na Vila Belmiro foi incidental será dele, não dos críticos.

A temporada 2013 será uma espécie de batismo de fogo para os garotos. Envergando as camisas de dois importantes clubes brasileiros, estarão sob os olhos da nação no ano que antecede a Copa do Mundo em solo pátrio. Desempenhos convincentes aliados à alforria das lesões poderão reintegrá-los à Seleção Brasileira e diluir as desconfianças. Que esse caminho se pavimente para os dois. Assim, ganharão Corinthians, São Paulo e, especialmente, Felipão, novo velho técnico do Brasil, que terá gama de opções para montar seu time.

Trio de ferro
Com Ganso, Neymar e Pato no Brasil o futebol local tem muito a ganhar. Vivemos carentes de atrações para nossos torcedores, que veem os talentos migrarem rapidamente para o exterior. Cofres mais cheios e fatores menos nobres, como as tais lesões, ajudam a explicar o fenômeno. Se ele terá solidez, o futuro dirá. Desfrutemos!

Novo x velho
Felipão inicia sua segunda passagem pela Seleção Brasileira pressionado pela proximidade do Mundial no país e a fazer algo que não é muito sua praia: trabalhar com uma equipe renovada. Esse será o enigma a ser desvendado em 2013. Conseguirá o treinador reciclar seus conceitos além da ideia-clichê de “fechar o grupo”? Caso Pato e Ganso revigorem-se e juntem-se a um punhado de novas e talentosas figuras como Lucas, Neymar e Oscar, saberá o treinador gaúcho dar uma feição vitoriosa e agradável para o time? São perguntas com um quê de ceticismo. Inicialmente soa delírio acreditar em tal alquimia. Mas como o futebol vive se reinventando, não custa pagar para ver.



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