Torneio da Come Bola termina autografado



Espanta, embora antiga, a omissão da Conmebol. Vale o trocadilho com o nome dantesco: Come Bola. Pois assim tem sido. Nos torneios sul-americanos prevalece a picardia, a catimba, o jogo sujo e o esporte, razão de tudo e todos, é artigo de segunda ordem. O descompromisso da entidade que (des)cuida do futebol do segundo continente mais importante da bola com o “produto” que controla é estarrecedor. O resultado desse torpor, da inação frequente, só podia ser a mancha às vistas do globo. A decisão de importante torneio por ela organizado foi mutilada, teve um só tempo, com a violência sendo senhora.

Um desfecho à altura dessa turma que nada faz para punir o antijogo. Nos torneios da Come Bola cartão amarelo gera multa pecuniária. Os bolsos da cartolagem ficam parrudos e a disciplina vai para o beleléu. E assim vemos a pancadaria rolar solta e o aplauso constrangedor de parte da crítica que vê nisso o “valor mais alto que se alevanta”. Como se o épico camoniano devesse transfigurar-se no jogo dos gramados.

Nas duas partidas finais entre São Paulo e Tigre vimos sangue e batalha de nervos aos montes. Os dois lados perderam as estribeiras. Argentinos, inferiores tecnicamente, desceram o sarrafo como quiseram, com a complacência do árbitro. No Morumbi, o São Paulo fez um catimba mambembe, que não combina com sua história.

A taça não poderia ter sido entregue de afogadilho, sem uma apuração antes. A Come Bola, como é do seu feitio, lavou as mãos de novo. Pôncio Pilatos, do outro lado da janela existencial, deve ter se ruborizado. Não fosse o histórico de passividade da cartolagem continental, que vê jogos com escanteio batido com proteção policial e cala-se, e as cortinas não teriam baixado de maneira tão aviltante.



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