Com a palavra a vedete do Brasileirão, um número



“Muito boa tarde (manhã ou noite também, já que você pode estar me lendo em outros horários). Eu sou o número 45, número de pontos, uma obsessão da turma da parte de baixo da tabela do Brasileirão, como dizem por aí. Posso ser 15 vitórias, 12 vitórias e nove empates, nove vitórias e 18 empates. Tanto faz! O fato é que sou quem eles cortejam e querem tomar nos braços, com flores e perfume francês. Graças aos matemáticos e à fórmula dos pontos corridos estou tendo meu momento de vedete. Eles me querem. Sim, são os mais pobrinhos do momento, os esfarrapados, que lutam a duras penas para ficar na elite do futebol. Eu sou o Fome Zero versão boleira. E eu significo muito para essa gente, sou a menina (sei que número é gênero masculino, mas são tantos homens atrás de mim que me afeminei) dos olhos dos desesperados. Somente cinco dos 20 concorrentes já passaram por mim e hoje me olham com desdém: Fluminense, Atlético-MG, Grêmio, Vasco e São Paulo. Os outros 15 ainda me lançam olhares de cobiça e me têm como o suprassumo da felicidade.

Eu significo a paz, o sossego, o alívio para os carentes de pontos. La garantia de ficar na elite soy yo, meus amigos! Atlético-GO, Figueirense, Palmeiras, Sport, Coritiba, Ponte Preta, Santos, Bahia, Flamengo, Portuguesa, Cruzeiro, Náutico… esses aí sonham comigo diariamente, sou a tal para eles. Eles querem mais a mim que à Juliana Paes. Um oasis no deserto de suas campanhas. Sou a vida em meio às trevas. Vejam vocês que na quinta Palmeiras e Coritiba jogarão só pensando em mim, chorando por mim e querendo ligar para mim… Tô toda e não tô prosa. Minha dezena é glamourosa! Eles me querem como a um prato de comida deseja o faminto.

Até o Corinthians, campeão da Libertadores, me deseja. Cheguei a tal prestígio que o técnico Tite, com seus olhos arregalados, já disse querer encostar logo em mim para pensar no Mundial de Clube. Que chique, mano! Eu devo muito aos campeonatos passados e aos matemáticos de plantão. Foram eles que me colocaram na vitrine, sob os holofotes, no púlpito! O São Paulo pode até me desprezar agora, mas semana passada, quando tinha 43 pontos, estava flertando comigo. Os olhares tricolores eram de luxúria. Agora Inter e Botafogo vêm chegando, insinuando uma dança, fazendo mil promessas. Devo aceitá-las?

Nunca foi tão bom ser 45 como neste Brasileirão. Alguns, sem graça, dizem que com 43 ou 44 também é possível escapar da queda para a Série B. Inveja pura desses meus vizinhos, que querem roubar meu lugar mas não têm meu garbo. Eles não aceitam a sede que gero em tantos times. Não chegar em mim é conhecer o inferno!”



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