Os amargos bárbaros dos estádios



A menina em flor chocou-se com a pedra. A pedra da ignorância, do sórdido, do abjeto sentimento de intolerância. Um punhado de marmanjos que deixaram para trás qualquer capacidade de ternura, abraçados pelo fanatismo, essa praga humana. A menina entrou em cena com o singelo ato de aceitar um presente do ídolo. Os fanáticos com a empunhadura à proa, como nos versos de Rui Guerra e Chico Buarque. A empunhadura da dificuldade de lidar com o oposto, com o que, na cabeça de minhoca deles, é insulto. São incapacidade de lidar com as próprias frustrações e avessos a felicidade alheia.

No Couto Pereira, barbados bárbaros enfiaram uma lança nos sonhos de uma menina. Nada pode ser mais desolador. Nada sintetiza melhor a estupidez de alguns poucos com a força de muitos a afastar o público dos estádios. Simbólico desses tempos de arenas de guerra que vivemos. Possivelmente ela não idolatrará mais jogadores de futebol e nem irá a jogos. Na sua formação cravaram-se as unhas do rancor. O seu sonho virou pesadelo. A camisa do ídolo sinônimo de blasfêmia na religião dos fundamentalistas da bola. Como ela irá entender que a paixão dela é, para eles, um insulto? “Não ame o que não amamos perto da gente”, eles dizem sem dizer. “Leve esse amor para longe daqui!”, afirmam sem afirmar.

Como ela prosseguirá vendo jogos de futebol? Deve ainda estar em choque, com medo, apavorada… Novamente os bárbaros, nem um pouco doces, venceram. Até quando?



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