A Espanha é bonitinha, mas também é ordinária



Pode parecer miragem, mas não é. Redes sociais, debates televisivos e textos opinativos provam sem chorumelas: a seleção da Espanha é o patinho feio do momento. A equipe da bola de pé em pé, modelo apelidado de “tiki-taka”, com chances reais de no próximo domingo conquistar o seu terceiro título consecutivo em competições de ponta, esboçando uma hegemonia, está irritando muita gente. Segundo o que leio nesse caldo de pitacos, tem sido um ótimo sonífero. Daqui a pouco surgirá a dica medicinal: está com insônia? Veja um jogo da Espanha!

A principal queixa dos detratores é que o time, a despeito de trocar belos e numerosos passes e marcar o adversário desde o campo de ataque, cria poucas chances de gol. Pratica um futebol ladrão, mal deixa o oponente ter a pelota, a recupera e fica com ela minutos a fio. Em linhas gerais, quase não é ameaçada e pouco ameaça, só o suficiente para fazer um golzinho ou dois e seguir adiante. Ontem, contra Portugal, o lance letal não veio e a definição foi nos pênaltis (um lapso!).

O que torna a situação curiosa é que existe sim um jogar bonito nesse estilo. Os passes certeiros e a movimentação sincrônica para receber a bola são fruto de uma técnica, uma linda tecelagem. Não à toa muitos tentam copiar, como a improvável Itália, elogiada por isso. Mas a Azzurra tem a volúpia ofensiva que falta aos ibéricos. Soa esquizofrênico dizer que falta algo a um time que tem dominado o cenário das seleções, mas há mesmo uma lacuna. Seu jogo é agradável até a “página 20”. Com poucos gols, é impossível se satisfazer com uma equipe. Daí advém a popularidade maior da Alemanha, que toca a bola com maestria e tem alto poder de fogo. Porém, ele foi neutralizado pelos pragmáticos estetas espanhóis na última Euro e na Copa de 2010. Agora, tem nova chance de contentar a audiência.



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