Libertadores reúne a mística na decisão



Nunca a mística foi tão senhora como na final desta Copa Libertadores entre Boca Juniors e Corinthians. Os dois clubes, frutos da imigração italiana que caracterizou Argentina e Brasil no começo do século XX, são objeto de veneração religiosa dos seus apaixonados torcedores. A legião que costuma seguir os dois clubes onde quer que eles joguem é o símbolo maior dessa profissão de fé. São como peregrinos a percorrer estradas, aerovias e ruas para expressar sua devoção. Os boquenses tornaram clássica sua cantoria na competição continental, seja no seu recanto, a indomável Bombonera, seja nos campos adversários. Os corintianos, por sua vez, já promoveram invasão ao Maracanã, em 76, e fazem de tempos em tempos réplicas desse movimento de “violação” a templos alheios.

Por serem dois clubes de massa, um deles com a maior torcida da Argentina e o outro a segunda do Brasil, tudo neles é hiperbólico, deixando mais pronunciado esse viés religioso. Os corintianos se autointitulam bando de loucos e time do povo. Os xeneizes (variante de genoveses, por conta da origem da fundadores) fazem festas admiráveis nos jogos em casa com seus sombreros azul y oro e se proclamam “la mitad mas uno” (a metade mais um), expressando assim o fato de serem majoritários em território argentino.

Esse embate de paixão fervorosa é um capítulo à parte no confronto. No jogo que classificou o Corinthians à final vimos fartura de imagens de torcedores segurando terços, chorando e olhando para os céus em sinal de prece, como alegorias de missas campais. Por sua vez, o Boca tem como torcedor-ilustre Maradona, tratado como Deus pelos torcedores locais, que até igreja tem para reverenciá-lo. Pendurado nas tribunas da Bombonera, El Pibe de Oro costuma alentar a equipe e é tratado de forma sacra. Na quarta as místicas se fundem!



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