Em busca da temperatura ideal



É clássico o temperamento bipolar brasileiro quando o assunto é Seleção. O inconsciente coletivo verde-amarelo vai do mais profundo ceticismo com o “scratch” até a euforia desmedida, a depender dos resultados. Ou somos um punhado de entulho ou a quintessência com a bola nos pés. Ou os melhores, ou os piores. Não há meio termo! Somos a reprodução da ira de Deus no livro do Apocalipse: frio ou quente, pois “morno vomitar-te-ei da minha boca”. Na semana passada, essa oscilação de humor foi tão súbita que merecia internação em massa para que nossa sanidade pátria ainda tenha alguma salvação.

Após vitórias contra Dinamarca e Estados Unidos, duas equipes medianas, o time de Mano Menezes foi colocado nas alturas. O bordão galvanista (tanto no que tange ao narrador da Globo quanto ao verbo galvanizar, dando força à musculatura por meio de impulsos elétricos) entrava em ação: “Este é o futebol brasileiro”. Quatro dias depois, uma derrota para o México, algo comum nos últimos anos, fez a brasilidade murchar. Parecia a Quarta-feira de Cinzas da nossa bola. O luto com condolescências. O time dos toques envolventes de Oscar, Neymar e Damião era ilusão! Cinco títulos mundiais não bastaram para enterrar nosso rodrigueano “complexo de vira-latas”. Ele fica ali, hibernando, à espera de um mau dia dos nossos jogadores para mostrar sua cara. E, de repente, nem mesmo Neymar presta!

O potencial dessa atual geração de jogadores é inegável. A medida sábia é colocar na balança para o espírito entrar nos eixos. Dois jogos bons menos um jogo ruim e temos um saldo positivo. A atual equipe ainda não está no estágio de Alemanha, Espanha e Holanda, as três seleções mais prontas do futebol mundial. E nem no patamar dos mequetrefes. Estamos mornos em busca da efervescência para 2014.



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