O silêncio do craque sem a bola nos pés



Mais de uma vez, com os olhos colados na televisão, tive esse desejo que agora confesso. O pensamento intuitivo, antes de qualquer racionalidade, me estala: “Se pudesse eu daria uns chacoalhões em Ronaldinho Gaúcho e diria: Acorda, rapaz!”. Não teria, não tenho esse direito. Não sou seu pai, irmão-empresário, primo, amigo ou vizinho. Nunca troquei um “e aí” com o jogador. Sou apenas um frustrado com sua débâcle e, principalmente, um inconformado com sua inércia discursiva. É um espanto!

Eleito duas vezes melhor jogador do planeta, campeão do mundo pela Seleção Brasileira, celebrado por sua técnica malabarística nos anos de Barcelona… Nada disso fez o rapaz acumular sangue nas veias para quando os microfones lhe assaltassem. A expressão é sempre a mesma, com um curto sorriso moldado pelos dentões. Assis, o tal irmão-empresário, é quem fala por ele. A voz do craque foi terceirizada, em uma despersonalização do mito. Ídolo sem ideias parece ídolo sem vida, sem nós, sem cores…

No seu período europeu, aplaudíamos seu luxuoso futebol à distância e tinhamos pouco acesso a suas entrevistas. Agora, vemos de perto sua bola empobrecida e notamos que não se justifica, explica ou
replica. Essa ausência na presença é decepcionante para nós, brasileiros, carentes dos nossos virtuoses. Falta prazer pelo jogo? Ele não diz! O Flamengo precisa reagir? Calado! O atraso nos salários o desmotiva? Silêncio! Gosta do técnico? Boca fechada! O que há, afinal? Nem um pio! No fundo é um desperdício. Quando morre o futebol, o grande jogador ainda nos lega suas ideias, por mais toscas que possam parecer. Ronaldinho não nos legará duas frases sequer. Ficaremos apenas com suas jogadas de verão.



  • Triste decadência de alguém que já mostrou muito, mas hoje se priva a receber a bola na ponta-esquerda como uma estátua, sem personalidade nenhuma e sem a menor sombra da ousadia que um dia foi sua marca registrada nos seus lances de talento.

    Saudações do Tricolor Paulista.

  • Ricardo

    Falou e disse!

    Eu, como vascaíno, estou adorando sua passagem pelo Framengo…

  • Marcio

    É mais um dos brasileiros que está apenas queimando a gordura de simpatia que o Brasil criou pelo mundo afora anos atrás. Não demora muito, um pouco já acontece, brasileiro, jogador ou não, vai ser sinônimo de dissimulado, folgado e de péssima formação intelectual (burrinho e limitado mesmo).
    De fato nos tornamos.

  • joao paulo barros – acre

    EM RELAÇAO A DAR ENTREVISTAS EU NAO CONCORDO, PQ OU O KRA TEM CARISMA OU NAO TEM… O MESSI TBM NAO DÁ ENTREVISTA E É 1 MONSTRO…
    COMPARO O CASO DO RONALDINHO COM O DO ADRIANO… COISAS INEXPLICAVEIS
    TEM GENTE Q FALA Q É PQ TEM MUITO DINHEIRO E NAO QUER MAIS SABER D NADA…
    E O RONALDO, MESSI, ZIDANE, CR7, ETC… MUITO MAIS GRANA Q ELES E UMA GANA D JOGAR ENORME…
    NA VERDADE NAO SE EXPLICA O INEXPLICAVEL…
    DAQUI UNS 15, 20 ANOS O R10 VAI SER SERVIR DE ESTUDOS CIENTIFICOS LIGADOS AO ESPORTE, Q TENTARAO ACHAR ALGO Q MOSTRE ESSA QUEDA OU ATÉ PERDA D TALENTO TAO GRANDE…
    ASSIM COMO O ADRIANO… É UMA PENA, UMA PENA MESMO…

  • José Luiz

    E o pior é que o Flamengo fez malabarismos para ter o “mala-barista”…

  • MARCUS

    Incrivel como ele vem sofrendo criticas sucessivas e nao demonstra a minima vontade de reagir. A maoiria das criticas sao verdadeiras porem existe algumas injustas, e nem estas ele responde, nem com as bolas nos pes nem fora do campo, parece que ele esta em outro planeta, completamente desfocado do futebol, jogando por jogar. Triste ver um idolo acuado nas cordas sem reagir.

  • rubens

    Depois do episódio esdruxulo do A$$I$ na loja do flamengo a saida do craque (hauhauahuah)é o melhor caminho, porém, será que a vereadora pat amorim vai admitir que fez o pior negócio do mundo em pleno ano eleitoral? é mais do q óbvio que a cada minuto que R10 fica no flamengo é prejuizo para o clube, mas os interesses pessoais falam mais alto e o flamengo vai ser penhorado para pagar a divida com o ronaldinho antes dele sair. Se o ronaldinho tiver o minimo de vergonha na cara, abatia essa divida e saia, calado, mas com um pouco de dignidade.

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