Corinthians x Neymar



A vontade é de hibernar. Que tal me acordar apenas na manhã do dia 13 de junho? O sono comatoso faria o tempo passar num átimo e a longa distância do objeto do desejo se dissiparia. E assim, de repente, 16 dias se transformariam em uma piscadela. O oásis estaria ali, ao nosso alcance, e saltaríamos do deserto que este calendário nos relegou. Santos x Corinthians, Corinthians x Santos, o onírico confronto do momento. Dá água na boca só de pensar. Mas falta muito! E no meio do trajeto, só alguns amistosos da Seleção. Rodada do Brasileirão, uma boa pedida para distrair, só mesmo nos últimos suspiros do Outono. Que lasqueira!

O negócio é preencher a aridez alimentando o debate – convenhamos, projetar jogos é uma atividade saborosíssima. Haja saliva, ou melhor, neste caso, haja escrita. Podemos dar eco ao tal duelo do talento de Neymar contra a inquebrantável defesa corintiana (tomar dois gols em dez jogos, independente dos rivais, não é algo desprezível, certo?). O videotape, mesmo com as suas burrices rodrigueanas, poderá auxiliar ainda mais Tite. Rever os dois jogos do Santos contra o Vélez é um bom receituário sobre como parar o atacante adversário. O garoto foi discreto, sua genialidade ficou estanque, e o sucesso corintiano, supõe-se, passará necessariamente pelo insucesso do jogador mais cortejado do momento.

A verdade é que a presença de Neymar faz outras qualidades santistas serem empanadas. Humano que o senso comum ache isso pelo simples motivo de ter o atacante algo de sobre-humano, como mostraram, por exemplo, os dois golaços contra o Inter na primeira fase. Mesmo sabendo que há mais mistérios entre a meta de Cássio e Rafael do que supõe nossa filosofia de botequim (memorando importante: foi um veterano, Léo, que transformou a iminente eliminação em heróica classificação à semifinal), a figura de Neymar paira sobre nossas mentes e condiciona nossa análises. Os poréns, contudos e todavias, como os que berram para olharmos para as outras armas, não têm combustível suficiente para enfraquecer o pensamento de que bloquear o craque santista é conquistar um pedacinho do céu.

O atual Corinthians é um time obstinado, como a torcida gosta. Muita transpiração, que compensa a palidez do ataque. O magistral sistema defensivo, reflexo principal do trabalho de Tite, é o esteio que poderá levar o clube à conquista que 11 entre dez corintianos mais anseiam. E é ela que pode impedir mais uma façanha de Neymar – conquistar o bicampeonato continental e igualar o Santos de Pelé. Neymar terá três amistosos pela Seleção antes da primeira semifinal alvinegra. Corinthians e Santos terão dois jogos pelo Brasileiro antes do esperado confronto. E nós teremos muito tempo para elucubrar em redes sociais, bares e textos sobre o que esperar das duas partidas. Uma coisa é certa. As expectativas santistas se empoleiram nos ombros de Neymar. A segurança corintiana está no seu cascudo sistema defensivo. E até o dia do jogo é isso que ouviremos e leremos. É inevitável que assim seja!



MaisRecentes

Em ‘casa’, Sérvia impõe sua técnica sobre a Costa Rica



Continue Lendo

O dia em que Messi foi bloqueado pelo Eyjafjallajökull (Eia fiatlai ohut)



Continue Lendo

Espanha e Portugal assinam o Tratado de Maravilhas



Continue Lendo