O poder além da bola vem das arquibancadas



O Santos levou a partida de hoje contra o Vélez para a Vila Belmiro porque confia em sua peculiar panela de pressão. O acanhado e charmoso estádio da Vila Belmiro, alçapão cantado na marcha-hino “Leão do mar”, infla a auto-confiança dos santistas desde há muito. Entre engordar os cofres mandando a partida contra os argentinos no Morumbi ou Pacaembu e ter o trunfo de sua cancha, a diretoria santista optou pela força do lar, doce lar. O curioso é que a escolha do palco só foi feita após a derrota no primeiro duelo, em Buenos Aires. O clube admitiu que se tivesse voltado para o Brasil com um placar favorável optaria pelo bolso. Assim, deixou explícita a sua legítima artimanha: se o torniquete apertar pedimos reforço de soldados berrantes.

O Alvinegro tem Neymar, capaz de decidir jogos sozinho com dribles e conclusões assombrosos. Mas isso não basta! O recado é claro: o bafejo da torcida no cangote rival será decisivo. Ao contrário do que pregam alguns, não são apenas os nossos vizinhos que tiram proveito dos urros da arquibancada. Fazemos isso também e, como ilustra bem o caso santista, temos consciência da relevância que isso tem em um jogo. Aquela coisa de que é 11 contra 11 é conversa pra boi dormir e deixar o pasto às moscas.

Aliás, futebol não é um jogo. Jogo é xadrez, dominó, pôquer e similares. Futebol é atmosfera. Daí nossas caretas para duelos com portões fechados ou público tímido. Nenhuma manifestação de torcida nos é indiferente. A ela devemos parte generosa da paixão pela bola. É aquela velha história de enfrentar o Flamengo com Maracanã lotado ou o Boca Juniors na Bombonera. Dá tremedeira nos rivais. São situações que distorcem a pureza do embate (ainda bem!), que fazem das bolas chutadas apenas um fator a mais. O Santos e seu estádio-trunfo que o digam.



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