Tricampeão inquestionável



Texto meu publicado na revista-pôster do LANCE! do tricampeonato santista, que está nas bancas

Na campanha do tricampeonato o Santos começou manso, ludibriou os adversários, para dar o bote nas horas certas. Nas rodadas iniciais, o Peixe foi a campo com time reserva, poupando as “feras do Muricy”, que vinham desgastadas pela disputa do Mundial de Clubes, no fim de 2011. E mesmo no meio do caminho a estratégia foi repetida, quando havia jogos da Libertadores se avizinhando e algum conforto na tabela. Foi uma trajetória calculada, mas com generosas gotas artísticas. Claro, uma equipe com Arouca, Ganso, Neymar e cia. jamais caminha burocrática, sempre abre a porta do seu ateliê para os apreciadores do futebol refinado.

Assim, algumas goleadas ainda na primeira fase iluminaram a estrada. Contra a Ponte, meia dúzia de gols com sublime atuação de Neymar, que já tinha alvoroçado os entusiastas do seu futebol em virada contra o Botafogo (virada achocolatada: 4 a 1). Catanduvense e Guaratinguetá levaram inapeláveis cinco e até os reservas tiveram seu dia de show contra a Linense. Nos clássicos, o Alvinegro perdeu quando “podia”, como nos casos contra o Palmeiras e o São Paulo. O time do Morumbi que o diga! Triunfou na maçante primeira fase e foi superado na semifinal pelo terceiro ano seguido, em freguesia que abrilhanta a conquista.

A vitória por 1 a 0 sobre o arquirrival Corinthians é a cereja no bolo, não poderia faltar. Aconteceu na reabertura da Vila Belmiro e, mesmo econômica, teve sua valia. Mas o mérito mesmo do Santos foi novamente a sua letalidade nas decisões. Mais uma vez foi gigante nos mata-matas e não deu brecha para os adversários. Mogi Mirim, São Paulo e Guarani foram as vítimas da vez. O tricampeonato santista tem múltiplos símbolos para um clube que por si só já é icônico. Após mais de 40 anos uma equipe obteve tal série de títulos no Paulistão. De quebra, abre a perspectiva do ineditismo
histórico ano que vem: ser o primeiro tetra nos tempos do profissionalismo.

Por fim, e talvez esse seja o recheio principal, viu o atacante Neymar acomodar-se no panteão que tem deuses do porte de Pelé, Coutinho, Pepe, Giovanni, Robinho entre outros. Foi na campanha estadual que o garoto (sim, embora tricampeão ele ainda é um garoto!!!) tornou-se o maior artilheiro alvinegro após a chamada era Pelé. A hegemonia deixa os santistas com orgulho dilatado. O tricampeonato representa o resgate da mística que andava perdida. Há dez anos títulos voltaram a ser uma constante em Urbano Caldeira, mas faltava uma expressiva série para a memória gloriosa voltar a ter carne e osso.



  • E.SOUZA

    INQUESTIONAVEL, questinavel mesmo foi o de 2009 – parecia que todos queriam dar o campeonato para o curica, que tinha que pagar o ronaloducho.

  • E.SOUZA

    ESCLARECIMENTO: O SANTOS FC É O UNICO TRES X TRI CAMPEÃO PAULISTA, PORQUE ANTES DE 1930, NÃO CONTA, DIZEM QUE NAQUELA ÉPOCA O FUTEBOL ERA AMADOR; (e agora quem pode explicar?)

  • reinaldo de barros

    para a favor do corintias conta ate treino.
    e dizem que o Bi Libertadores é do tempo antigo kkkkkk e os paulistinhas do tempo amador ?

  • Alexandre

    O futebol profissional em SP começou em 1933.
    O Corinthians tem um tricampeonato profissional (1937-39), o Palmeiras tem um tricampeonato parcialmente profissional (1932-34), São Paulo não tem nenhum e o Santos tem três (1960-62;1967-69;2010-12).

  • Satisfeitos?

    Coisa de torcedor, talvez, mas continuo achando que o elenco da Ponte Preta era o único interiorano com alguma chance de vencer o Santos na final. Ao ótimo Gilson Kleina, porém, falta a leitura de jogo que Oswaldo Alvarez (de longe o melhor técnico do Paulista) mostrou quando necessário. Vadão merece todos os louros pela campanha do Guarani no Paulista.
    A semifinal no Brinco de Ouro provou a força que o Bugre teria se realizasse o primeiro jogo decisivo nos seus domínios. O título santista foi selado nos 3 a 0 da semana passada, um placar que dificilmente ocorreria em Campinas. O Peixe é inegavelmente superior, mas o primeiro tempo da finalíssima sugeriu que o nervosismo poderia atrapalhar o campeão numa situação menos vantajosa.
    Essa conta deve ser cobrada de Marcelo Mingone, o presidente bugrino, que pareceu estranhamente resignado com a escandalosa transferência dos jogos para o Morumbi e deixou escapar até alguma satisfação com os lucros resultantes. Mas a discutível vantagem financeira não compensou as duas goleadas e os sacrifícios da torcida. O Guarani seria capaz de suportar a pressão dos bastidores, com um pouco de virulência e profissionalismo. Se existiu outra espécie de método persuasivo por parte da FPF, Mingone teria a obrigação funcional de escancará-lo.
    Quantos pênaltis como aquele do segundo gol santista já foram marcados, numa decisão, para um time desprestigiado, contra um adversário poderoso? Voltando um pouco no tempo, e repetindo o mesmo beneficiário da atualidade, quantos gols de times “grandes” já foram anulados como o do Santo André na final de 2010?
    Nenhum, jamais. Por isso não sabemos como reagiria a combativa crônica esportiva se um favorecimento de tamanha importância lesasse os seus protegidos. Esses “erros” de arbitragem, tão involuntários e casuais que inevitavelmente escolhem os lados certos para favorecer, deixam claro que as mudanças necessárias no futebol nacional escondem-se muito mais fundo que as meras idiossincrasias de regulamento.
    A propósito, antes que recomece a ladainha da imprensa paulistana contra o recém-terminado campeonato, é importante registrar que tal descontentamento não tem nada a ver com a suposta previsibilidade do resultado. Foi exatamente a ausência nas finais de Corinthians, São Paulo e Palmeiras que derrubou os prognósticos do favoritismo bairrista e agora canaliza suas frustrações para reivindicar mudanças futuras que dificultem esses desagradáveis golpes do destino.

    http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

MaisRecentes

Dérbi de Milão no almoço para chinês ver



Continue Lendo

Santos no divã: hora de encarar a dupla identidade!



Continue Lendo

Gol, o grande momento da festa proibida



Continue Lendo