Onde vai parar o Santos de Neymar?



Onde vai parar o Santos de Neymar? A pergunta, rimada, é a bola da vez, pois da vez é esse Peixe conduzido pelo molecote de 20 anos. Molecote gigante, que em três anos, sem escapar ainda da adolescência existencial, já é um marmanjo colecionador de incredulidades. Isso, coce os olhos, intrépido leitor. É preciso arregalá-los para crer. Mais de 40 anos sem um tricampeão foram desdenhados por um menino de futebol soberbo, com a alma entrelaçada à bola. Três títulos estaduais em série e uma fome incontrolável em decisões. Já avisei, coce os olhos, atente=se aos dados e suspire: ele está entre nós! Nos únicos quatro jogos que dão sentido ao estadual, no quarteto de mata-matas, o camisa 11 foi um demolidor. Balançou as redes em TODOS OS JOGOS. Fez OITO gols, sendo QUATRO nas finais contra o Bugre. Na semifinal contra o São Paulo, fez os três da equipe. Contra o Mogi, foi mais singelo, unzinho, quiçá em respeito ao modesto mas valente adversário.

Na campanha do Paulistão Neymar foi aquele sujeito que sabe-se divino com a pelota sob controle. Demorou para estrear, afinal quem é joia não pode banalizar-se. Quando entrou em campo não demorou a deixar claro: eu tenho a força! Virou um jogo duro contra o Botinha, em Ribeirão, com três gols. Ali foi como uma mensagem: não pensem que desdenho o Paulistão após dois títulos! Na primeira fase arrastada e enfadonha, o atacante foi o néctar a destoar da miséria. Seus constantes brilhos, em dribles, passes e gols, foram um oasis no deserto. Mas os precavidos já deviam saber: o melhor esta por vir quando chegar o momento fatal. Aí as estripulias do rapaz deram realmente as caras e ele começou a sentar-se no panteão. Deu um chega para lá sem cerimônia em dois jogadores históricos do Peixe – Juary e Chulapa – e transformou-se no maior artilheiro alvinegro após a mítica era Pelé. Acho que os olhos estão avermelhando de tanto você coçar e você deve achar que o escriba está delirando, mas não: é real! Em pouco mais de três anos como atleta profissional Neymar insinua-se nas alturas. Cinco títulos com a camisa santista, artilharias diversas, prêmio de gol mais bonito do mundo ano passado. O próprio céu acha ser pouco para ele.

Neymar tem contrato com o Santos até 2014 e isso tremelica as espinhas de torcerores rivais. Até lá há mais dois Paulistas, dois Brasileiros, três Libertadores (na atual o caminho parece estar se desenhando), duas Copas do Brasil… A pergunta deve ser reeditada: Onde vai o Santos de Neymar? Por que não bastou o Santos de Pelé? São os deuses da bola repetitivos? A história se reproduz sem farsas? Com quantos craques históricos se faz um Santos? E os raios caem na Vila múltiplas vezes?



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