Com o jeitinho brasileiro não há quem possa



O tal jeitinho brasileiro não toma jeito. É tema recorrente também nos gramados. Neles, aliás, encontra terreno fértil, com sua dupla faceta: na malandragem oportunista e incivilizada, na qual os fins justificam os meios, mas também na finta ludibriante, nosso chassi mais celebrado e legítimo. Por isso urge separarmos o joio do trigo na hora de tratar do assunto. A velha mania de querer levar vantagem em tudo, rabiscada na Lei de Gerson (foi à toa que um jogador a cimentou em propaganda?) não deve ser confundida com a malícia do menino com a bola, nosso timbre mais alto, nossa excelência.

Vamos aos fatos! O jeitinho maligno, empobrecedor, se manifesta nesses gandulas amestrados, que repõem rapidamente a bola quando o time da casa ataca – e até participam de jogadas ensaidas, como vimos no Beira-Rio no último domingo – e “valorizam a posse de bola”, retardando sua devolução, quando é a vez do adversário. Não há aqui diferenças de essência entre essa prática e aquela do sujeito que fura fila ou suborna o agente de trânsito. São pragas que devastam a cidadania.

Mas há o jeitinho benigno, ativo nas pernas dos nossos boleiros bailarinos desde a aurora do jogo. Nas ameaças de corpo de Garrincha, que levavam o marcador à embriaguez, expressava-se a picardia. O movimento enganoso do corpo, a bola que raspa de um lado e para do outro, é uma maneira lúdica, legal, de furar-se a fila. Ela não infringe leis, ela dita a vitória da técnica sobre a muralha. Neymar faz isso jogo a jogo. Rivais, furiosos, descem-lhe pancadas, como a censurar a vantagem levada pelo talento, como vimos no Morumbi, também no domingo. De jeito a jeito, o primeiro deve ser abolido para sermos gente grande. Já o segundo nos manterá grandes aos olhos do mundo.



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