Com o jeitinho brasileiro não há quem possa



O tal jeitinho brasileiro não toma jeito. É tema recorrente também nos gramados. Neles, aliás, encontra terreno fértil, com sua dupla faceta: na malandragem oportunista e incivilizada, na qual os fins justificam os meios, mas também na finta ludibriante, nosso chassi mais celebrado e legítimo. Por isso urge separarmos o joio do trigo na hora de tratar do assunto. A velha mania de querer levar vantagem em tudo, rabiscada na Lei de Gerson (foi à toa que um jogador a cimentou em propaganda?) não deve ser confundida com a malícia do menino com a bola, nosso timbre mais alto, nossa excelência.

Vamos aos fatos! O jeitinho maligno, empobrecedor, se manifesta nesses gandulas amestrados, que repõem rapidamente a bola quando o time da casa ataca – e até participam de jogadas ensaidas, como vimos no Beira-Rio no último domingo – e “valorizam a posse de bola”, retardando sua devolução, quando é a vez do adversário. Não há aqui diferenças de essência entre essa prática e aquela do sujeito que fura fila ou suborna o agente de trânsito. São pragas que devastam a cidadania.

Mas há o jeitinho benigno, ativo nas pernas dos nossos boleiros bailarinos desde a aurora do jogo. Nas ameaças de corpo de Garrincha, que levavam o marcador à embriaguez, expressava-se a picardia. O movimento enganoso do corpo, a bola que raspa de um lado e para do outro, é uma maneira lúdica, legal, de furar-se a fila. Ela não infringe leis, ela dita a vitória da técnica sobre a muralha. Neymar faz isso jogo a jogo. Rivais, furiosos, descem-lhe pancadas, como a censurar a vantagem levada pelo talento, como vimos no Morumbi, também no domingo. De jeito a jeito, o primeiro deve ser abolido para sermos gente grande. Já o segundo nos manterá grandes aos olhos do mundo.



  • Roberto Junior

    Dizem, o futebol brasileiro vive a era da profissionalização.

    Mas, para mim, tudo não passa de enganação.

    Em certas áreas até avançamos.

    Nos valores das cotas da TV.

    Na adoção dos pontos corridos que já adoramos.

    Alguns clubes, na venda dos ingressos que nós, torcedores, compramos.

    No entanto, de forma geral, acho que nem ao menos engatinhamos.

    E hoje nem preciso tocar no aspecto dos gramados.

    Ou na segurança dentro e fora dos estádios.

    Assuntos pelo blog sempre sempre abordados.

    A gandula botafoguense é mesmo uma gata.

    Que trouxe um pouco mais de beleza à rodada.

    E, articulada, merece ter a palavra considerada.

    Porém, por motivos óbvios, custava os organizadores do evento colocarem repositores sem envolvimento emocional na jornada?

    Raciocínio semelhante ao que deveria ser aplicado no sul.

    Onde um escanteio fez com que luxa mandasse muitos para aquele lugar.

    Afirmava um velho professor, não existe meio ético.

    Meio honesto.

    Tampouco, meio profissional.

    É o que deveriam aprender os dirigentes do futebol nacional.

    Que quando o jeitinho é contra eles, só assim, pensam, de maneira totalmente racional.

    Porque, do contrário, a desculpa é que o futebol é passional.

    E a Lei de Gérson, nesse país, prossegue sempre atual.

    Abraço!

  • Guilherme

    É Normal apanhar jogo a jogo, todos estão em busca da vitoria, as vezes ou quase sempre o mais ousado prevalece, e é por isso que exige a furia dos defensores..

  • Leo

    muita gente não entendeu ! triste …..

  • Frangelico

    Chover no molhado é coisa de criança.

    Agora, é necessário comentar o trabalho dos gandulas como o de Botafogo e Vasco. Fizeram a função deles, entregaram a bola de forma rápida aos dois times. Influenciou no resultado aquela bola entregue pela gandula ao Maicosuel? Influenciou no resultado o mau posicionamento da zaga do Vasco no primeiro gol do Botafogo?

    A aurora é bela após uma noite de trevas

  • Os fatos confirmam o que tu tão habilmente falastes o bom e velho drible que aqui no Brasil está praticamente reduzido a ter Neymar como seu solitário praticante deveria voltar a ser mais valorizado nesta “Terra Brasilis” , o talento hj parece q se mudou de mala e cuia pra Espanha que é disparada a melhor seleção do mundo, amplexos de um corintiano fanático e saudoso do tempo em que se podia deleitar ao assistir a uma partida entre 2 equipes brasileiras.

  • Ibsen

    Diria também que não existem diferenças entre os exemplos citados e a falta de pudor, para não usar outro tipo de palavra, que graça entre políticos (e outros personagens da fauna brasileira).
    Quanto ao gesto da gandula do jogo Botafogo x Vasco, não há ali qualquer tentativa de favorecimento, caso o colunista ou blogueiro não tenha se atentado, pois o mesmo comportamento a mesma teve em relação aos dois times em campo.
    Fica então a questão, pessoas que reclamam da citada falta de “pudor”, verdadeiro descaramento de “quedas d’água” e outros mais, agem como os mesmos quando tentam tirar proveito de uma situação qualquer mesmo que para isso “passem por cima” de quem estiver na frente, exemplo do gandulo do jogo Internacional x Fluminense e para ilustrar cito até mesmo motoristas que para ganharem algum tempo usam o acostamento para “furar” filas em engarrafamentos.

  • Colorado Campeão de Tudo

    Vou passar outro jeitinho brasileiro! O TRT julgou o caso Oscar a favor do São Paulo. Pois bem, imediatamente o presidente ex-jogador torcedor conselheiro sao-paulino da CBF mandou efetuar a alteração no BID. Caso raro e recorde! O TST julgou o caso a favor de Oscar, dando habeas corpus para ele poder trabalhar, desde quinta-feira as 22:30. Até agora ele não aparece no BID como jogador do Internacional. Por que será?????

  • Luiz Marfetan

    Esse ataque de moralismo é porque a jogada do escanteio, e feita no Beira Rio ou vale para todos no futebol brasileiro? Porque cansei de ver partidas en sp e rj onde, os gandulas “amestrados” conforme sua propria expresão, fazem isso a muito tempo. Tambem leio o Lance todos os dias e nunca vi nenhum comentario seu a respeito. Quantas vezes os gandulas nas partidas do seu time não retardaram a devolução da bola para o rival ou aceleraram conf. o andar da carruagem. Esse artigo só sé justifica sendo o sr. spfc ou “imorrivel”.

  • Paulo Pinheiro

    Já falaram o que eu queria dizer, então vou apenas corroborar.

    Ninguém entrou em polvorosa quando a prática nojenta dos gandulas do Morumbi de esconder a bola nas cobranças de falta do Ceni aconteciam. Por que de repente aconteceu um orgasmo de pudor agora? Pior: não são só os jornalistas! A nova CBF – a CBF paulista – já está colocando as manguinhas de fora (estão criando medidas “anti-eficiência gandular”).

    Talvez gandula participar de jogada ensaiada seja mesmo de se pensar (porque essa é uma coisa que ele JAMAIS fará pelo time adversário), mas reclamar da eficiência de uma gandula que em momento algum se furtou de repor a bola rapidamente para as duas equipes é um medo infundado da paulistada.

    Será que as medidas da CBF vão valer no Morumbi também?

  • SAULO

    Eu sou soberano mas acho que o oscar deve continuar disputando a LIBERTADORES kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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