Santos, cem anos de um destino manifesto



Ao longo desses cem primeiros anos de existência, o Santos foi sempre um tenaz herói da resistência no futebol brasileiro. Alojado em uma cidade de médio porte, subverteu a lógica metropolitana que domina a pelota nacional. Dos chamados grandes, é o único a situar-se fora de uma capital. E desse seu microcosmos abraçou o cosmos. Foi e segue sendo um expoente da máxima de Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”. E refez, e refez, e refez… E certamente refará eternamente, pois está provado ser essa sua vocação.

O Santos reúne fama e fortuna, a riqueza de uma nação alvinegra. Havia alguma magia escondida naquele dia 14 de abril de 1912. Magia que exerceria sua força com o passar dos anos. Não à toa um dos primeiros ídolos foi Feitiço. Menos à toa ainda um menino destinado a rei na Vila aportou e na Vila reinou, auxiliado por gente da categoria de Pepe, Coutinho, Dorval, Pagão e Carlos Alberto Torres. E depois, três gerações de meninos cultivados no fértil solo santista a manter o mito altivo, com Pita, Juary, Diego, Robinho, Ganso e Neymar na linha de frente.

Os santistas são ciosos de sua história. Quem não seria diante de obra tão olímpica? Ao palmilhar os cantos do Memorial das Conquistas, eles sentem o orgulho de quem fez pelo futebol brasileiro mais do que deveria e suspeitaria. E, de quebra, têm a presunção da prática do futebol-arte. Com ele estão habituados, sem ele não sabem viver.

Os doídos 18 anos de jejum de títulos importantes apenas serviram para reafinar o timbre santista. Quando tentou escapar de suas origens, buscando fora de suas entranhas as respostas, tombou. Enfim, quando voltou a olhar para seu próprio ventre, reencontrou a tal magia. Coincindência ou não, a chama reacendeu exatamente na década que precedeu o centenário. É o destino manifesto alvinegro!



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