Erros de arbitragem afanam a inteligência



O seu time perde um título por erro grotesco de arbitragem. Um impedimento mal marcado saca o gol que daria o título. Você substitui o desalento da chance desperdiçada pela raiva da circunstância. O vizinho, que ficou com a glória graças ao apito fúnebre, comemora, embora no fundo da consciência, se for sujeito decente, admita: “Era melhor ter vencido sem aquela ajudinha!”. Houvesse um auxílio tecnológico e a verdade triunfaria sobre o achismo. Que dano traria?

Segundo alguns conservadores de almanaque, o uso de ferramentas esclarecedoras, que dissolvam dúvidas sobre impedimentos, pênaltis e bolas passando da linha sepultaria a “graça” do futebol. Os botecos perderiam clientela ávida por cerveja com o esvair-se das polêmicas. Ora, isso é tolice! A medida poderia no máximo fazer sucumbir programas de TV que pautam o conteúdo por repetições infinitas de falhas dos árbitros. O esporte não precisa dessa ode à injustiça para ser popular. Os erros fazem é afanar nossa inteligência.

O que move a paixão pelo jogo não é o prejuizo que apitadores provocam, mas sim um sem-número de itens: o drible bem feito, o craque, o atacante goleador, a rivalidade, o ritual de ir ao estádio, os cânticos de torcidas, os personagens folclóricos… Basear a febre de bola no princípio do juízo equivocado de quem apita é ignorar o que cerca as disputas. Futebol americano e tênis recorrem a instrumentos eletrônicos para dirimir dúvidas e isso não diminui o interesse pelas modalidades. Ao contrário, ele só vem aumentando, conforme atestam a profusão de patrocínios e transmissões televisivas.

Curioso que os principais avessos à adoção da tecnologia sejam justamente cartolas mergulhados em denúncias de corrupção. A penumbra que cerca suas transações é a mesma que fecha as cortinas para o império da verdade no jogo.



  • Roberto Junior

    Neto, ótimo texto.

    Também sou favorável a adoção da tecnologia como auxílio a arbitragem. Mas, em lances, como dizem os “especialistas”, interpretativos nem os recursos eletrônicos evitariam eventuais polêmicas.

    Abraço.

  • Geraldo Santos

    Pimenta nos olhos dos outros é colírio !! Os atleticanos são os que mais sofreram durante todo tempo , só alguns exemplos: Carlos E. Simon (hoje comenta arbitragem) não deu um penalti escandaloso contra o Botafogo na Copa do Brasil e depois vem na tv pedir desculpas a “torcida atleticana” lembra do José Roberto Rato e do José Assis Roubalhão contra o Flamengo , da libertadores de 2000 contra o “Curintians” queriam pegar o Galvão e o Casinha pequena no mineirão (veja o jogo) 4 penaltis pro juiz dar um , São Paulo ano passado , dois penaltis pro Galo e o larápio não deu , vai por aí !!

  • Nilton

    Os errros não tem graça nenhuma, o impedimento devia acabar, pois no Futsal não existe e nem por isso fica um jogador em cima linha do gol.

  • BLR

    Ótimo seu atitude, ao condenar não somente os erros graves mas aqueles que insistem que isto ‘faz parte do jogo’. Como você destacou, tem uma infinidade de aspectos do jogo que encantam e a resistência das cartolas a qualquer recurso que diminuaria a possibilidade de erros só aumenta o suspeito de que os resultados são manipulados propositadamente e não querem perder essa ferramenta de controle através dos oficiais. O que as pessoas querem acima de um bom jogo é que a justiça seja feita!

  • Ado Marcelo

    Pois os clubes têm poder para pressionar as federações mas nada fazem. Acho que para eles está bom assim também. Tem muito tempo que eu não entendo como podem empresas investirem milhões num segmento que todo planejamento pode ser arruinado por que o juiz tinha uma gota de suor no olho.

    Eu lembro na libertadores contra a porcada na semifinal, o Marcos faz uma defesa num lance com o Edilson e dai ele solta a bola no ar para dar um chutão, como todo goleiro faz, e o Edilson estava perto dele na sequencia da mesma jogada e da um totó na bola quando ele joga ela pro alto pra chutar e faz o gol, o juiz acho que estava de costa sei la, e marcou SOLADA!!!!

    Não teve nada irregular no lance, mas o timão poderia ter ido pra final não fosse o assoprador. Imagine quanto dinheiro o clube não perdeu por um erro tosco.,

  • Janco Tiano

    Já que você citou um exemplo sobre impedimento, como seria o uso da tecnologia nesse caso?Alguma sugestão? Já li muitos textos defendendo o uso da tecnologia no futebol, mas são raros os que dão sugestões de como e quando esse recurso deve ser utilizado.
    A questão da bola entrar ou não, é tão simples como saber se a bola foi dentro ou fora no jogo de tênis… mas acho a questão do impedimento um pouco mais complicada…

  • é a pura verdade o que voce falou,mas se colocarem toda esta tecnologia no futebol o corinthians acaba

  • Ado Marcelo

    Ta aqui o lance que comentei no post anterior … aos 2:25.
    http://www.youtube.com/watch?v=Uq3SIJq7LEo&feature=relmfu

    E era nas quartas da final da liberta não na semifinal.

  • Marcio

    HOJE EM DIA SE FALA MUITO DA VIOLÊNCIA ENTRE AS TORCIDAS, MAS NÃO SE SABE O MOTIVO DELAS E O QUE FAZER PARA RESOLVER. SE VOCÊS NOTAREM A VIOLÊNCIA AUMENTOU EM MUITO A PARTIR DO MOMENTO QUE OS ÁRBITROS COMEÇARAM A SER TORCEDOR EM VEZ DE NEUTRO NOS JOGOS, POIS ALGUNS TIMES COMEÇARAM A TER MAIS ERROS A SEU FAVOR DO QUE CONTRA, NORMALMENTE OS ERROS CONTRA NÃO SÃO EM PARTIDAS CHAVES, TALVEZ PARA PODEREM ALEGAREM QUE OS ERROS ACONTECEM CONTRA TODOS. A CONSEQUÊNCIA DISSO É QUE HÁ UMA REVOLTA MUITO GRANDE DAQUELES TORCEDORES QUE VIRAM SEUS TIMES SEREM ROUBADOS E ALÉM DE VER A IMPRENSA, QUE DEIXOU DE SER NEUTRA, TENTANDO VALIDAR O ERRO, TEREM OS TORCEDORES DO TIME ADVERSÁRIO FAZENDO CHACOTA, IGNORANDO O EPISÓDIO. A CONSEQUÊNCIA DISSO É OS TORCEDORES DO TIME PREJUDICADO PARTIREM PARA VIOLÊNCIA, GERANDO UMA RIXA, QUE ESTÁ AUMENTANDO CADA VEZ MAIS. PODEM PRESTAR ATENÇÃO, QUANTO MAIS ERROS ACONTECEM, SEMPRE BENEFICIANDO OS MESMOS, MAIS AUMENTA A VIOLÊNCIA.
    NÃO ESTOU AQUI PARA DIZER QUE ESSE É O ÚNICO MOTIVO, MAS É UM DOS PRINCIPAIS.
    TENTEM PROFISSIONALIZAR A ARBITRAGEM, COLOQUEM OS RECURSOS PARA DIRIMIR TAIS DÚVIDAS, CRIEM PUNIÇÕES SEVERAS PARA OS ÁRBITROS, IDÊNTICAS AS DOS JOGADORES QUE VOCÊS VERÃO QUE O SENÁRIO DO FUTEBOL IRÁ MUDAR MUITO, MAS COMO HÁ UM JOGO DE INTERESSES FINANCEIROS POR TRÁS DESSES SUPOSTOS ERROS, NADA VAI MUDAR ATÉ QUE A POPULAÇÃO TOME VERGONHA E EXIJA MUDANÇAS.

  • Exatamente, e quando um jogo não tem erro de arbitragem, ele não tem graça? Ninguém no dia seguinte não fala ou discute sobre o jogo porque não teve erros de arbitragem???

  • Simplesmente falou tudo sobre o tema. Já passou da hora da tecnologia entrar em campo, usar o argumento de que perderia a graça é totalmente sem fundamento. O Super Bowl cresce a cada ano em níveis assustadores e a tecnologia nos lances polêmicos é parte fundamental. Só quem deve mesmo algo fica se opondo à isso, pra não perder a mamata.

    Saudações do Tricolor Paulista.

  • Janco, não acho que todos os casos tenham solução tecnológica. Mas chip na bola, por exemplo,urge usar. No caso de impedimentos é mais complicado porque são muitos durante um jogo e ele perderia a dinâmica realmente em caso de consultas. Mas deveria se pensar uma maneira rápida, com repetição imediata. Só não acho que a graça do jogo, o seu alimento, esteja nas lambanças da arbitragem. Esse pensamento, pra mim, é medíocre!

  • Pode ver que quem é contra a tecnologia no futebol são exatamente os clubes que são sempre beneficiados “sem querer, ou por coincidência ou porque o juiz é falho com qualquer ser humano”.

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