Paixão sem bandeira, uniforme e graça



O pai quer transmitir ao pequeno filho sua paixão clubística. Lá no berçario já havia o uniforme minúsculo como primeiro presente. O desejo ardente é de que aquele pingo de gente tome gosto aos poucos. Quando chegar o momento certo o levará ao estádio “com confetes e bandeiras”, como diz a marcha. Opa, bandeiras? Nananinanão, fazem as autoridades censoras com o dedo indicador. Nada disso, não pode! Estão proibidas no Morumbi, Pacaembu, Vila Belmiro e qualquer outra cancha paulista. Vai que algum exaltado pegue o mastro e pimba na cabeça alheia, não é mesmo? Esqueça as parafernálias!

Terá então o pai que levar o seu petiz sem adereço para tremular. Quando chegar a hora vai com a gloriosa camisa! Mas que hora é essa? Qual o momento adequado? Que não seja um clássico, pois eles são muito perigosos, cheios de rivalidade! Vai que passa um torcedor rival exaltado e dá-lhe uns safanões. E nesse caso, se tiver azar, a criança pode sentir pedras e paus roçando-lhe os ouvidos. Então fica assim: o pai quer alimentar a paixão no filho, mas sem bandeira, uniforme, sem nada…

Diacho, mas que paixão é essa?, poderá se perguntar o torcedor-mirim! Uma paixão cheia de cuidados, de precauções e vacinas. O pai poderá até concluir que o melhor é trabalhar a paixão via pay-per-view. Compra o pacotão do campeonato, pega bandeira, mete uniforme e vamos nós. Assim pode até clássico, vejam só vocês!!!

A violência de torcedores estabeleceu a cultura do medo. Expressar sua paixão nas ruas e estádios é ato de coragem suicida. Pais que querem infundir nos filhos sua preferência clubística enfrentam a barreira da hostilidade. É futebol ou guerra? O lazer passional que o esporte deve oferecer vem ficando para trás. Assim, as crianças acabarão mesmo ficando com videogame, computadores e televisão!



  • sandrofla

    Triste constatação, pessoas desprovidas de amor usam qualquer coisa inclusive a falsa paixão pelo clube para praticarem atos medievais como estamos presenciando via imprensa.
    Tenho 3 filhos(2 meninas 9 e 1 ano e menino de 6 anos) os maiores loucos para ir ao estádio ver o Flamengo de perto mas não tenho coragem de levá-los.

  • Renato

    Excelente texto, parabéns!!

    Seria bom se os maiores interessados tentassem mudar esse cenário de violência.

    Não pode levar bandeira, então não compro bandeira!

    Não pode usar a camisa, então não compro camisa!

    Não tenho segurança no estádio, então não vou ao estádio!

    Os clubes sobreviveriam à esse cenário?

  • Triste realidade… daqui a pouco não poderemos nem pronunciar nossos times de coração, vai ser motivo de porrada, de intolerância. Até quando?

    Saudações do Tricolor Paulista.

  • É caro amigo, da maneira que o futebol paulista faz mostrando toda sua incompetência para tratar do assunto, ir a um jogo em São Paulo é mais sem graça do que dançar com irmã!!
    Voces da imprensa paulista que adoram criticar tudo que é de fora, e acham que só tem vida inteligente aí por São Paulo, deveriam se espelhar no exemplo do Rio, que mesmo sem Maracanã, temos o belo estádio do Engenhão e todos os “bons jogos” são um espetáculo das torcidas dos 4 grandes, com bandeiras, faixas, batucadas, papel picado, bandeirões, fumaças coloridas, tudo isso na paz!!!
    Dentro dos estádios não tem briga porque a polícia atua preventivamente com as torcidas, ou seja, aquela torcida que fez besteira perde a bateria numa primeira punição, e se voltar a fazer merda fica impedida de entrar por um período, e te digo que raramente acontece problemas.
    Vá a um jogo entre os grandes, fla x flu, fla x vasco, ou vá especialmente a um jogo entre Botafogo x Vasco por exemplo, que vcs ver que legal, muitas famílias, muitas mulheres, sabem porque?
    As torcidas se respeitam!!!
    Andam juntas fora do estádio, tomam suas cervejinhas juntos, se confraternizam na boa, mais dentro do estádio cada um defende o seu time, xinga, torce, sacaneia o outro, mais quando o jogo acaba voltam todos na paz.
    Isso é futebol, isso é exemplo de comportamento, isso é torcer, não digo que nada aconteça, mais se acontecer é longe do estádio, aí já é coisa de bandido e não de torcedor.
    Mais siceramente aí pra São Paulo não vejo possibilidades de nada parecido com isso acontecer.

  • Valdir

    É pior ainda, a crianca comecará a utilizar uniforme do Barcelona, Milan, Real Madri e virará um torcedor de modinha dos clubes europeus e eles é que irao lucrar com isso. Alias nao comecará, esta já é a realidade pois utilizar essas camisas é seguro no Brasil. Para os clubes pensarem seriamente neste assunto.

  • Diogo Neto

    Nossos políticos nos envergonham cada vez mais!

  • Boechat

    O futebol paulista é a vergonha do país!!!

  • EDSON (Santista) (47 anos)

    Você tem razão ao descrever o que estamos vendo acontecer, mas além da indole de cada um, venho sempre batendo na mesma tecla, pois acho que os pais tem muito a ver com a situação da sociedade em geral. Ao meu ver criam “monstros” que ao crescerem sem limites, pensam poder, e fazem o que querem em qualquer lugar (escolas, ruas, ..). Tenho três filhos (02 garotos 22 e 05 anos e uma garota de 20 anos) e sempre lhes passei a necessidade e obrigatoriedade de respeitar a todos, pois caso contrário se entenderão comigo em casa! e até hoje nunca foi necessário, até porque, sou muito Amigo deles. Vamos juntos a vários lugares e mostro a eles que eu e minha esposa somos os melhores amigos que eles têm.
    O mundo mudou muito e estão confundindo liberdade com libertinagem, e aí acham que podem agredir professores, pessoas, .. até o dia que encontrarem alguém mais forte e/ou mais violento pelo mundo e aí a casa cai, e vemos mães chorando dizendo que “.. meu filho era trabalhador, sossegado,..” mas na real não sabem onde e com quem andam seus filhos.
    Família forte, muita educação, e Deus, só isso pode dar jeito!
    Saudações a todos!!

  • AlexTimão

    Caro Amigo Paulo Vieira,

    Seu Bairrismo me Enjoa,

    Claro que ai no Rio é tudo melhor, imagina brigas entre torcidas não existem por ai. a Jovem e a Raça (ambas Fla) nunca tiveram nenhum conflito dentro ou fora dos estádios, coisa linda de se ver, o medo do amigo Sandrofla é coisa da cabeça dele, porque ai(RJ) não existe esse tipo de coisa. É a maior PAZ em quase ou todos os aspectos.

    Faça me o Favor e para com esse Bairrismo nada a ver.

    Esses fatos se devem a uma grande minoria bandida que está no meio das Organizadas (membros e Diretores tbm) Já fui muito a estádios, já vi torcedor apanhar, já corri de briga, cavalaria e o escambal, não pretendo ir a algum estádio tão cedo.

    Agora esses caras que apanham ou que Morrem nos estádios ou arredores deles, não são vitimas, afinal eles tbm estavam no meio da “Bagunça”. Quem garante que na primeira oportunidade ele não mataria alguem também.

    É apenas mais um vândalo morto.

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