A mente colonialista de Mano e Parreira



Os técnicos de “grife” do nosso futebol demonstram que ainda não largaram as fraldas coloniais. Ao hastearem a bandeira do “Sai, Neymar” mostram que querem que nosso país seja de homens gauches, tortos, na vida, como no célebre poema de Drummond. São as sete faces do rebaixamento. Mano Menezes e Parreira, que já dirigiram importantes clubes por aqui, não entenderam ainda o papel dos clubes. Eles acham tolamente que apenas a Seleção Brasileira deve ser forte e que esperam que mantenhamos nosso papel de fornecedor de matéria prima talentosa para os senhores de engenho do Velho Continente. Os melhores devem atuar na Casa Grande e nós, pobrezinhos da sétima maior economia do mundo, somos a senzala a abrigar o rescaldo.

Mano quer Neymar na Europa antes da Copa. Quer, pragmaticamente, ser campeão do mundo com um atacante supostamente mais acostumado a um outro nível técnico. Está se lixando para os ganhos que nossos torcedores e nossa paixão têm com a permanência do garoto por aqui. Ou seja, seu compromisso é somente com o próprio umbigo. E o mesmo se aplica a Parreira, que desde sempre é um cultor do que se pratica em outros lares, nunca no nosso. Dois nomes de peso que deveriam cerrar fileiras na defesa do nosso desenvolvimento. Pois se o Brasil vem ganhando cada vez mais espaço no concerto das nações, à custa do trabalho de sua gente e sua grandiosidade, nosso futebol deve remar nesse mesmo sentido. É como parte da elite que adora falar mal do Brasil e consome avidamente perfumes franceses e ternos bem cortados italianos.

O extenso período em que um jogador como Neymar, talento indiscutível e cobiçado pelos tais poderosos, está ficando por aqui é um ganho inestimável para os brasileiros. O torcedor tem uma oportunidade à qual não está acostumado. Poder ver um craque brasileiro in loco, em campeonatos domésticos. O Santos, com as jogadas e gols de Neymar, tem seu nome exposto no mundo, sua imagem disseminada. Um caso em que isso acontece com um clube brasileiro, não com a Seleção que sempre foi nossa estampa no exterior. O clube encontrou uma maneira de arrecadar fundos e segurar o moleque por aqui. Mas Mano acha que ele está se desgastando demais com os compromissos comerciais que garantem sua estada em nossas terras. Curiosamente, Neymar quase não é poupado e seu rendimento só vem aumentando. Argumento insustentável! Arranja um melhor, vai!

A mudança de uma realidade vem com a ruptura. Os treinadores de “proa”, cujas declarações têm uma ressonância enorme, deveriam engrossas nossas trincheiras contra o subdesenvolvimento. Mas com essas declarações fazem o contrário. Rendem tributo aos colonos e ignoram nossa necessidade de avançar.



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