Cordeiros assistem ao ilógico calendário



Impressiona a cordeirice dos clubes brasileiros em relação às federações estaduais e à CBF. O estúpido calendário, a remar na contramão da modernidade, esgarça as finanças da turma e não há reação alguma, apenas um silêncio ensurdecedor. Os cartolas das agremiações, grandes e miúdas, de agilidade felina na hora de demitir técnicos e apontá-los como vilões em maus momentos, transmutam-se em mansas ovelhinhas a balir nas questões que realmente danificam a rotina de seus times e suas finanças. Aceitam campeonatos estaduais abalofados, arrastados, e a Seleção a rapinar seus jogadores durante o ano. A pergunta pode soar bizantina mas ainda se faz valer: até quando os poderosos serão frágeis nessa história?

O Paulistão é um desafio à lógica. Como pode a primeira fase de uma disputa estadual ter a mesma quantidade de jogos que um turno inteiro do Brasileiro? Um clube como o Corinthians chegará ao início de abril, quarto mês do ano, tendo disputado regionalmente metade das partidas que terá na principal competição nacional. É um estupro a qualquer pretensão profissional!
Leio que os quatro grandes cariocas articulam movimento para desinchar o estadual da Guanabara. Overdose de jogos deficitários é o argumento. Descobriram a pólvora! Ou exergam mesmo isso ou então têm algum fetiche por endividar-se e ver os cofres em agonia. Ou seria a conveniência política? Neste caso, o torcedor é maltratado.

Ainda na esteira do cuspe no bom senso temos os jogos preparatórios da “amarelinha”, na terminologia cafona dos nacionalistas, desfalcando clubes. O Santos, que faz das tripas coração para manter Neymar em suas garras, vê sua joia e Ganso ”servirem a pátria, salve, salve (!)”, mensalmente. Paga o preço de ter os melhores e, assim, nivela-se a quem está por baixo em parte da temporada. Até quando?



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