Libertadores é desejo que vem dos rivais



A Libertadores transformou-se, nas duas últimas décadas, em obsessão dos grandes clubes brasileiros. Durante o Campeonato Brasileiro vemos técnicos e jogadores regozijando-se quando estão na tal zona de classificação para o torneio. O título é um objetivo menor diante do carimbo de realização suprema da conquista de uma vaga na disputa sul-americana. É possível ver nisso até um sinal de fadiga do nosso complexo de vira-latas. Ciente de sua potência continental, como maior econômia da região, o brasileiro está convencido de que seu clube pode ir além das fronteiras e não quer mais ser um agremiação doméstica, coisa que já não lhe basta.

Pergunte a um corintiano qual foi sua dor mais aguda nos últimos tempos e ouvirá que foram duas: as eliminações para o Palmeiras na Libertadores, em 99 e 2000, ambas nos pênaltis. Ver o arquirrival citadino tirar-lhe a chance de abraçar a América foi amargura pura. Mesmo tendo faturado tantos títulos importantes depois disso, a Fiel Torcida sabe que só apagará essa memória dolorosa quando for campeão continental.

Ano passado, deixamos de ter o “maior Gre-Nal de todos os tempos”. Ouvi a definição de colegas jornalistas quando surgiu a chance de Grêmio e Inter se enfrentarem nas quartas da Libertadores. A eliminação gremista para o Universidad Católica frustrou a expectativa, que por si só já elevara o tom do clássico.

A Libertadores tornou-se a meta principal dos clubes por aqui justamente por reafirmar as rixas estaduais. Os torcedores do Fluminense choraram a perda do título de 2008 porque ele representaria a equiparação com os rivais Flamengo e Vasco, que já têm o galardão. Os corintianos desejam ardentemente o troféu porque não suportam mais piadinhas dos três rivais já detentores do “Santo Graal”.



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