Não há libertadores para os torcedores



Quando eu era molecote, nos idos dos anos 80, para acompanhar os jogos do meu time eu recorria ao rádio ou então me encaminhava até o estádio. Partidas do clube na TV eram como a “goiabada cascão” cantada pela Beth Carvalho, “coisa fina, Sinhá”. Lembro-me até do Vanuchi comandando sorteio com globo de metal e bolinhas brancas, bem ao estilo mega-sena, para determinar o duelo que seria transmitido. Muitas vezes esperava ansioso o compacto que seria exibido mais tarde para ver os lances e gols que horas antes eu apenas escutara.

A banalização das transmissões futebolísticas, que inclui até campeonatos antes improváveis, tais como o Russo, deixaram o apaixonado pela bola mal acostumado. Inclusive os mais antigos, que experimentaram em toda a sua maturação os períodos em que os jogos televisionados eram oásis no deserto. Natural que seja assim. Os humanóides adaptam-se bem quando presenteados com mais e mais conforto, mas rejeitam privações. Depois que luz elétrica e telefone foram inventados quem quer viver no escuro?

A indignação de aficionados dos seis clubes brasileiros que disputam a atual Libertadores tem raiz nessa regressão a tempos cavernosos. E ela, contraditoriamente, é imposta por brigas comerciais. Ou seja, o capital, financeiro e humano, que concedeu o luxo das transmissões, é o mesmo que tira.

Em tempos de economia ascendente, com mais gente com bala na agulha para assinar TV à cabo, a “censura” emocional massifica-se. O sujeito pode, claro, migrar de operadora ou gastar tostões do orçamento e mudar sua agenda para ver jogos do time no exterior. Tudo isso exigirá sacrifício extra. Mas não custa perguntar:que direito vale mais, o do torcedor ou os de quem transmite o evento?



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