A balança explode e o inferno são os outros



O metabolismo não colabora, as tentações estão por toda parte e os vigilantes do peso, com máquina fotográfica na mão e teclados sob os dedos, registram cada centímetro de saliência e a exaustão que as banhas provocam. Pobres são esses gorduchos dos relvados! Travam luta agônica contra a balança e a crítica impiedosa de torcedores e imprensa. E para escapar da própria fraqueza vão na onda do existencialismo de Sartre. O inferno, rapaz, são os outros!

Ronaldo virou modelo de superação ao vencer várias batalhas em sua carreira fenomenal. Mas perdeu a guerra contra o corpo roliço. Na despedida, responsabilizou uma glândula abrigada no pescoço, uma tal de tiroide, pelo ventre bojudo e o rosto inchado. Não sabemos se o ex-atacante abusava dos hambúrgueres e dos sorvetes, mas teve a seu lado o néctar da medicina esportiva, com equipamentos, fisiologistas e nutricionistas. Só que quando deitava no sofá da sala devia matutar: “Já ganhei tudo, tenho dinheiro às pencas, para quê tanto sacrifício?” A glândula, coitada, pagou o pato!

Adoraria tomar um café da manhã com Adriano. Assim veria se troca o pão integral com queijo branco pelo ovo mexido recoberto de bacon. Enquanto não vem o convite para o desjejum imperial, sigo
imaginando que se lambuza nas gostosuras. Por isso vive na casa da centena quando sobe na balança.

Agora temos um novo integrante nessa turma. Trata-se de Daniel Carvalho, meia palmeirense. Os murmúrios de bastidores dizem que o jogador não dispensa uma Coca-Cola, sinônimo do capitalismo engordativo. Ainda assim, ele alega que o corpanzil é fruto de injeções de anabolizante na época em que jogana na Rússia para depois mudar a versão. Será que biscoitos recheiam os seus armários?



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