Valdivia ainda pode evitar uma carreira desperdiçada



O sujeito sabe que tem talento para fazer mais do que fez até agora. O tempo é cruel, não dá tréguas para lamúrias. A areia vai escorregando pela ampulheta indiferente à angústia do jogador. Então, ele faz seu exame de consciência: o talento sem produzir fatos relevantes não deixa marcas, não dá ares de saudades. Ele terá que correr contra o relógio para provar que seus atributos soldarão seu nome na engenhoca da história.

Outro dia, vendo a participação de Djalminha em um desses jogos festivos, fiquei matutando: esse cara, sem cerimônia, jogou a carreira no lixo! Ao bater um pênalti no tal amistoso o fez com a velha categoria, afinal ela não se perde, e fez o narrador ironizar: Que dificuldade para bater na bola! Logo pensei: Pois é, que dificuldade, mas o que ele conquistou em seus anos no campo? Para muitos, a principal recordação é a cabeçada que deu no técnico espanhol Irureta, que tirou sua chande de disputar uma Copa do Mundo.

Valdivia tem bola no pé. Já mostrou isso algumas vezes. Mas sua carreira até agora é mais interrogativa que afirmativa. É uma coleção de polêmicas e pouca efetividade em campo. No início do ano, porém, uma luz parece ter acendido na cabeça do palmeirense: Eureka! Diz ele que se cuidou à beça nas férias, fez exercícios e, como contou ao LANCE!, cortou os litros de iogurte que tomava em casa.

Valdivia, ao contrário de Djalminha e outras centenas de craques que viram a banda passar, ainda pode ser um protagonista de seu tempo. Ele não precisa deixar de lado sua irreverência, pois suas entrevistas são ar fresco em um meio de lugares-comuns. Mas precisa dedicar-se mais a seu ofício. O mais difícil, o dom de jogar, ele tem. Mas agora precisa injetar a tal da transpiração, pois ela decide o rumo.



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