Chegou a hora dessa gente bronzeada ser mais humilde



Deveria constar da cesta básica dos brasileiros um saquinho de chá de humildade quando o assunto é futebol. A empáfia está começando a virar um câncer por aqui a corroer nosso jogo de bola. Olhamos apenas para nosso umbigo e cegamos para o que acontece em volta. Aí vem o susto: a Seleção ou um time nosso toma um vareio e ficamos pasmos, como se não fosse a expressão do óbvio que narcisicamente ignorávamos.

Antes do Mundial de Clubes, muitos, mas muitos mesmo, criam numa igualdade de forças entre Santos e Barcelona. Essa percepção, agora vista como dantesca, deve-se à teimosa, e falsa, ideia de que o futebol nacional é o Éden, com suas árvores frondosas de craques. Estariamos, por destino manifesto divino, vocacionados a sempre fazer suar os bárbaros que nos tentam tomar o trono de reis do futebol. Neymar, cujo talento é nítido mas de história ainda doméstica demais, era colocado em pés de igualdade com Messi, em vias de ser eleito pela terceira vez consecutiva melhor jogador do mundo. Típica presunção pacheca!

Houve quem, talvez inspirado em algum comediante, apelidasse o jogo de “clássico do século” (???). O presidente santista chegou ao cúmulo da irrealidade ao dizer que o favorito era o Santos. E, para completar a ópera bufa, Muricy Ramalho decretou: Guardiola só será 10 quando dirigir um time brasileiro.

Ser humilde é enxergar o que está diante do nariz. A Seleção de Mano Menezes vem tomando sova das grandes forças e foi um fiasco na Copa América. Não há uma equipe nacional que consiga trocar metade dos passes que o Barcelona troca em 90 minutos. Para mudar é preciso abolir os clichês: o Brasil é sempre favorito, nossos jogadores são especiais e nossos técnicos os melhores. Humildade para renascer!



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