Os jardins da praia de Santos têm mais sorriso



Após 48 anos de jejum, na manhã deste domingo, noite japonesa, os homens de branco desfilarão no campo dos sonhos. A alvura consagrada romanticamente pelos deuses Gylmar, Pepe, Pelé, Coutinho, Dorval, tantos outros, novamente estará em ação no limite dos céus. O embate será árduo, uma espécie de Batalha das Termópilas moderna. O Barcelona no papel da Pérsia, com seus soldados a trocar passes como as fileiras imensas dos homens comandados por Xerxes atiravam suas lanças. O Santos ali, como os 300 espartanos e uma vitória improvável sob as rédeas de Muricy Dario. Pois não se aposte em demasia no óbvio, a danada da história vomita repetidamente: nem sempre a vitória é dos mais poderosos!

O que importa é que um punhado de homens, alguns deles meninos, envergarão essa brancura de alabastro para o mundo ver. Todos eles com a coloração alvar das noivas em noite de lua cheia, em trânsito elegante. Um clube ungido pelos Deuses dá novamente as cara e de forma inédita nesses tempos de Mundial fincado em um só canto. O nome se construiu na era em que se fazia uma visita à Europa e recepcionava-se o pessoal do Velho Mundo. Pois o Peixe cristaliza sua ressurreição neste 18 de dezembro de 2011. Com vitória ou derrota, o imenso jardim da orla santista, sempre revestido de um mistério que já não há, alargou seu sorriso. Quem visita o calçadão praiano de tempos em tempos percebe por lá uma alegria incontida. Do José Menino à Ponta da Praia, o orgulho alvinegro está refeito. Os garotos santistas nascidos após os anos 60 já experimentam o gosto lúdico que pais e avós sentiram em tenra idade.

A emoção de torcer para um clube se dá na raiz, é ruminado a cada instante de felicidade e de tristeza. Nos títulos e nos dissabores a paixão esfarrapa-se para logo ser cerzida. Pois ela supera os dias chuvosos e insiste em raiar. Assim os santistas viveram esses 48 anos distantes do Palácio de Versalhes do futebol. Foram reinventando sua devoção, resistindo aos contratempos, entendendo que nas suas veias correm litros de sangue alvinegro. E esperaram, esperaram, esperaram… A espera,enfim, acabou. Quando o juiz apitar o início do jogo em Yokohama, a verdade histórica terá se restabelecido. O que vier, portanto, será lucro. O time da técnica e da disciplina foi devolvido aos píncaros do mundo. Uma terceira estrela poderá ser cravejada. Mas, se não for agora, será em breve, pois madura está. O oráculo de Delfos da bola, com seu apolíneo sacerdote, já deixou explícito. As majestades são escolhidas a dedo!



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