O título já está em ótimas mãos



Tite merece por demais este título brasileiro. Sujeito “do bem”, na expressão que virou modinha nos tempos do maniqueismo, Adenor Bacchi gera em mim afeição profunda, sincera. Foi tão malhado neste tempos castradores por seu vocabulário e caretas, e coisa e tais, mas jamais rendeu-se ao espirito rancoroso. A quem lhe faz perguntas responde em tons de ensinamento, mas com leveza, sem artificialismos. Fez de um Corinthians de operários um time ajustado, que tem plena noção de suas limitações e na margem delas é que trafega. Eis um ponto chave. Não é apenas a personaldade e o espírito que fazem dele merecedor do troféu. É que mostra trabalho efetivo, com resultados, e, ao que consta, tem o respeito dos atletas. É questionado desde que pisou no Parque São Jorge, mas mantém o ar resguardado. Claro, há críticas a fazê-lo em algumas ingenuidades suas. Uma delas dizer que é “pobre o cara se motivar apenas para querer ferrar o adversário”, ignorando toda a teia que a rivalidade produz. A essência do jogo de bola. Mas damos este desconto, pois ninguém, bem sabemos, é perfeito.

Ricardo Gomes merece por demais este título brasileiro. Sujeito “do bem”, na expressão que virou modinha nos tempos do maniqueismo, o técnico licenciado do Vasco gera em mim afeição profunda, sincera. Não apenas por seu drama pessoal, com a saúde abalada por uma doença silenciosa e cruel, mas por abrir mão dos excessos de vaidade tão comuns no meio. Sempre a fala calma, sóbria, a contrastar com alguns esgueladores de plantão. Nas coletivas, explicações simples, diretas, e sem embutir ataques gratuitos a quem lhe pergunta. Fez do Vasco, time que vinha de anos mendigando, novamente vencedor. Com um trabalho de formiga, colocou o clube carioca no centro dos assuntos. Há são-paulinos que hoje lamentam sua saída do clube (depois dele a rampa vem sendo mais íngreme). E enquanto se recupera, vê seus pupilos fazerem das tripas coração em dupla frente (Copa Sul-Americana e Brasileirão) para dar ao mestre o carinho de mais uma conquista. Cristovão Borges curiosamente replica a personalidade do companheiro e mantém em São Januário a mesma linha, dócil e de sangue ao mesmo tempo. Docilidade no trato do dia a dia e veias pulsando no campo.

Ricardo Gomes e Tite merecem por demais este título brasileiro. Porém, a taça, é claro, vai para apenas um deles. Alivia o fato de os dois candidatos merecerem e, se haverá lamúrias pela perde de um, a exaltação ao outro será efetiva. Dois avessos ao marqueting, comprometidos com a autenticidade, e que montaram equipes arroz-com-feijão, o que é louvável por tratar-se de prato apreciadíssimo por nós, brasileiros em essência. Qualquer um deles merecerá ser muito festejado!



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