Ronaldinho e sua (já) velha mania de nos iludir



Houve lá um período do Brasileirão em que Ronaldinho dividia os holofotes com Neymar. Não faz tanto tempo assim, entre julho e agosto, o Gaúcho resolvera nos oferecer seu talento, reconhecido entusiasticamente anos antes em terras europeias. O atacante do Santos, que, do alto de seus 19 anos vinha de enfeitiçar as bordas de Colombo no título da Copa Libertadores, chegara a ser até encoberto pelo quase trintão camisa 10 do Flamengo. Aquele Santos 4 x 5 Flamengo, que será estampado na galeria de jogos inesquecíveis, foi o ápice do ex-craque do Barcelona nessa sua fase nacional. Naquela partida dos sonhos, nem mesmo o gol antológico de Neymar fora capaz de ofuscar as maravilhas de rapaz. Foram brilharecos e brilharões, com um gol de falta a unir esperteza e técnica, além de passes exatos, que levaram os precipitados (somos, assim, no mundo da bola, pois vivemos de esperanças) a antever uma dupla magistral com o rapaz do moicano na Copa de 2014. Sonho de um noite de inverno (viviamos a estação rival do Verão!)

Seu teimoso apego à inércia logo voltaria. Ronaldinho, no trecho final do Brasileirão, retomou sua apática normalidade. Jogador estranho que une capacidade rara com uma certa dormência, como se a espiar um futuro repleto de futevôlei, samba, mulheres e cerveja à vontade. O fato é que ele voltou a ser o jogador que vinhamos nos acostumando em tempos recentes. Após a unção dobrada de melhor jogador do mundo, no biênio 2004-2005 (neste último ano com a mais expressiva votação da história do troféu), o dentuço atleta passou a viver de marasmo interrompido por lampejos. Faz uma finta aqui, um lançamento ali, um gol de falta acolá, mas nada de uma sequência que assegure: ainda é extraordinário.

Sussurros de bastidores contavam que Ronaldinho havia perdido o estímulo para jogar bola, o tesão, no dito mais direto. Os bons desempenhos haviam anulado essa impressão, que agora volta com tudo. Em vez de lances genais, protagonizou neste dias apenas fatos extracampo: o não-pagamento de parte do seu polpudo salário, assédio de clube grego do que pelas suas jogadas e até um video vazado na internet em que supostamente pratica sexo virtual. Sintomático de que sua carreira tende mesmo ao banho maria. Com um jogador do seu naipe era de se supor que o Rubro-Negro estivesse faca a faca brigando pelo título nacional. Mas o time chega às duas rodadas finais aspirando ao prêmio de consolação: vaga na Copa Libertadores. E até mesmo esse brindezinho pode não vir (os jogos contra Inter e Vasco são duríssimos, as duas equipes têm interesses grandes em jogo). Ou seja, corre-se o risco de ver o meia terminar seu ano de revisita aos gramados do país levando o clube de maior torcida à pouco estimada Copa Sul-Americana. Será um fracasso colossal!



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