Rivalidade premiada na reta final do Brasileirão



Graças à rivalidade, com suas taças de vinho, é que o futebol existe e resiste em nossas vidas. Por mais deleite estético que o jogo do Barcelona nos proporcione, sem o Real Madrid em seu calcanhares não seria a mesma coisa. Faltaria o contraponto, o desejo do vizinho de tornar-se rei. É o combustível que faz a bola girar e as gentes vibrarem.

Daí que é uma bênção este fim de noite do Brasileirão. A decisão de meter clássicos regionais nas rodadas finais tinha um intuito moralista: evitar os supostos corpos moles para prejudicar rivais. Pois acabou produzindo emoção no atacado. O Palmeiras, que teve um ano grotesco, terá a rara oportunidade de, à luz das rivalidades, ir para as férias cantado em verso e prosa por seus torcedores. Primeiro poderá tirar o São Paulo da próxima Libertadores. Depois, na ambição-mãe, deverá ter a chance de evitar que o Corinthians, seu oposto há quase um século, conquiste sua quinta estrela nacional. Uma situação pouco usual, mas de lamber os beiços nas cercanias do Palestra. Não há o que conquistar, mas há como azedar a vida alheia.

Lá em Minas o enredo é ainda mais cinematográfico. Tudo leva a crer que na rodada final o Cruzeiro decidirá sua permanência na elite contra o Galo. Para os alvinegros, que jogaram a Série B em 2006, rebaixar seu adversário histórico seria um bálsamo. A Raposa jamais sentiu o cheiro da Segundona.

E haverá ainda mais faíscas, tudo indica. Coritiba com a lança da morte para cima do Atlético-PR, Grêmio tentando evitar que o Inter dispute a Libertadores, Flamengo a barrar que o troféu vá para o Vasco… Nem se pudessem planejar, os senhores de fraque e cartola conseguiriam armar tal cenário. Os Deuses da bola, olimpicamente, fizeram das tripas novas emoções. Tudo graças à rivalidade!



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