Os rugidos do atraso no São Paulo



Ouvimos por aí, em sussurros de bastidores, que Leão foi contratado pelo São Paulo para chacoalhar os jogadores, disparar descargas elétricas em seus corpos. A presunção seria a de que o técnico, com sua fama de durão, faria um grupo de “almofadinhas” ralar a “bunda no gramado”. O que escrevo, presumo do que ouvi aqui, ali e acolá de amigos da imprensa. A diretoria são-paulina, em especial o seu cardeal, Juvenal Juvêncio, convencida da excelência do elenco, havia descoberto sua própria pólvora: o mau desempenho do time não deve-se a deficiência técnica, mas sim falta de empenho, uma certa apatia em campo. Eureka! Para mudar esse estado de coisas seria preciso alguém que colocasse a turma na linha.

Essa mentalidade, que nos remete aos malfadados colégios internos em que crianças eram monitoradas como se fossem as culpadas pela desgraça humana, ficou mais evidente quando Juvenal, com suas caricaturais caras, bocas e palavras, deu seu ultimato aos meninos levados: se o time não melhorar, vai todo mundo embora no fim do ano!
Pois duas semanas após a introdução do reinado leonino, o que se viu até aqui foi o mesmo São Paulo apagado de antes, ainda que sob a chibata. No último sábado, uma vitória tranquila sobre o Bahia virou derrota de piada. Ou seja, os choques não fizeram Lucas, Dagoberto e companhia despertarem.

Acreditar que jogadores de futebol são sujeito desinteressados que só funcionam com umas palmadinhas é uma cretinice medieval. O São Paulo, anos atrás tido como a vanguarda da modernidade, deixou-se levar pelo amadorismo mais ralé ao ceder a esse tipo de mentalidade. De que adianta ter um grande estádio, centro de treinamento formoso e muita pompa se aplica as regras do século passado?



  • Lucas P9

    Pois é, meu caro Valdomiro… o Sr. Juvenal Juvêncio transformou um time tri-campeão do mundo e com um elenco excelente a um catadão de jogadores sem vontade. Atitudes amadoras, como mandar a antes fixa, comissão médica embora mostra o quanto ele é um velho turrão que se acha o dono do mundo.

    É duro ver Marlos, Xandão, Juan, Piris em campo e ver o restante (salvo Wellington e Carlinhos Paraíba) sem vontade nenhuma. Dava gosto ver o São Paulo de anos atrás pela entrega, tínhamos Luizão, Lugano, Júnior, Josué, Aloísio, Mineiro, Leandro (que uma vez disse que jogaria contra o Corinthians até com a perna quebrada)… bons tempos. Que o Juvenal fez questão de afundar com seu autoritarismo horripilante.

  • O Tricolor vive como se estivesse num reino só dele. Os três títulos seguidos fizeram muito mal ao São Paulo – o clube, principalmente a diretoria, se acomodou. E agora que os outros clubes melhoraram suas gestões, o São Paulo entrou na “vala comum”, porque não continuou a se modernizar.

    PS: o link dessa página está quebrado, porque está com o endereço do Lancenet antes do endereço real, que é esse: http://blogs.lancenet.com.br/neto/2011/11/09/os-rugidos-do-atraso-no-sao-paulo/

  • Zenóbio Saraiva

    “Cretinice Medieval”. O que viria a ser isso?
    “O São Paulo, anos atrás tido como a vanguarda da modernidade, deixou-se levar pelo amadorismo mais ralé ao ceder a esse tipo de mentalidade”.
    Traduzindo tudo isso: se ganha é o melhor em tudo, se perde é isso que está aí em cima.
    Simples assim.

  • Fabio

    Você começou o texto bem, mas nos últimos dois parágrafos mostrou como é juvenil na profissão e deixou também o lado torcedor falar mais alto.

    Primeiro porque não assistiu o jogo do Sampa contra o Bahia, pois se o Lucas jogou mal aquele jogo, com muitos dribles, faltas sofridas e um golaço, então eu assisti outro jogo, outra dimensão, sei lá.
    Segundo porque seu texto abordo a ineficácia das atitudes da diretoria são paulina, mas em nenhum momento deixou rastro de qual seria uma boa política ou gestão.

    Então “amigão”, pede pra sair…

  • Fabio

    Falando em amadorismo, já que com grande estádio e centro de treinamento ótimo “não” ganhamos títulos (acho que se esqueceu de 3 brasileiros e 1 mundial nos últimos 6 anos), quero te apresentar um amigo dos jornalistas, chama-se:

    – Formatação de texto!

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