Mirem-se no exemplo do Vasco da Gama



É bom que o Vasco siga nesse caminho vitorioso. É bom que quebre alguns paradigmas tolos que foram criados nestes tempos de tão-somente lutar pela classificação à Copa Libertadores da América. Essa cultura, disseminada com o advento dos pontos corridos e o inchaço da competição sul-americana, passou a esmagar o que realmente importa, ou deveria, o que enobrece os caminhos de um clube: títulos. Ser campeão, seja de quadrangulares internacionais ou de um Mundial de Clubes, deve ser a obsessão de um time que se preza. A ambição maior de um grupo de jogadores. Não essa bobagem neurótica de buscar um lugar em algum torneio. Não há falta de sentido maior que essa, algo que deveria ser analisado por um psiquiatra dos bons. Por isso, o Vasco deste ano é um time a ser o norte dos outros. Campeão da Copa do Brasil no primeiro semestre poderia, como dizem, dar-se por satisfeito e aquecer as turbinas para a tal Libertadores. Não, nada disso. Restando sete rodadas do Brasileirão está lá, na ponta. E, de quebra, está entre os oito finalistas da Copa Sul-Americana. Isso que é fome, é gana de vencer, é buscar sempre mais..

Esse Libertadorescentrismo destroi a preciosidade do futebol: a competição pela competição, sem ficar pensando nos degraus! Por isso devemos celebrar o Vasco de Ricardo Gomes e Cristovão Borges. Por não dar ouvidos ao estruturalismo que tomou conta da bola. Futebol não é mapa de minas terrestres, ele é magia. A magia de uma competição. Vamos lá, buscar todo título que for possível. Os jogadores, assim, terão suas carreiras engalanadas. O clube ficará recoberto de glórias. E a torcida, feliz. Se vai mesmo levantar o(s) caneco(s) ou não circunstâncias é que dirão. Mas o abandono do discurso idiotizante já é um alento, um bálsamo, meus amigos. Depois do Cruzeiro, em 2003, não tivemos mais times fazendo a dobradinha Copa do Brasil – Brasileirão. E, em muitos casos, os vencedores do torneio mata-mata jogaram o principal campeonato nacional como quem balança no Parque de Diversões. Terrível, uma visão deturpada do que é a essência do futebol.

Já vi comentarista franzir a testa para a sobrevivência vascaína na Copa Sul-Americana. No linguajar técnico que tomou conta do esporte, o clube terá uma maratona de jogos e poderá se complicar no Brasileiro. Ora, ora, ora, não foi o mesmo Vasco que venceu Mercosul e Brasileiro (então chamado Copa João Havelange) em 2000? Não vemos na Europa times jogando a reta final de seus campeonatos, das suas copas e ainda de torneios continentais? Vamos parar com esse não-me-toques, essas tabelas de senos e co-senos chatíssimas que invadiram os campos. O negócio é jogar todo torneio para vencer, para que torcedores vejam a alma em campo e parem de pensar apenas no topo da América. A Libertadores é importante, evidente. Ganhá-la da prestígio, claro. Mas convenhamos: títulos tèm sabores, alguns mais doces que outros, mas têm sabores. São eles que geram histórias nas ruas, botecos e mesas-redondas da vida. As fichas de clubes contemplam seus títulos, assim como as salas prateadas abrigam os troféus. Quanto mais glórias, mais o que contar. Por isso, viva os campeonatos, sejam eles quais forem. Viva o Vasco pelo belo exemplo que está dando!



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