Adriano, você não sabe o que é um Corinthians e Palmeiras!



Com rivalidade não se brinca, ela é o néctar do futebol. É nas cores do time que ela se faz representada no mais das vezes. Em Istambul, na Turquia, o MC Donnald’s teve que baixar a guarda para os fervores passionais dos seguidores do Besiktas, que não aceitaram uma lanchonete da rede ao lado do estádio do clube com o amarelo e vermelho, justamente os tons do rival Galatasaray. E assim pintou-se a fachada da hamburgueria de alvinegra, pois com isso não se mexe. Entre você de vermelho no Olímpico ou de azul no Beira-Rio para sentir-se olhado de cima a baixo. Gremistas e colorados veem seus corações matizados pelas cores das suas bandeiras.

Sabemos que o Manchester City não é o United porque é azul piscina, contrastando com o ‘red’ dos Devils do vizinho. Em Milão, azul e vermelho não se casam, cada um põem-se em um flanco. O verde do Celtic lembra os católicos diante do azul protestante do Glasgow. E assim é a anteposição cromática que dá vida ao futebol.

Adriano calçou chuteiras verdes no treino do Corinthians e, obviamente, causou frisson. Não é bem visto! Não prevalece nessas horas a cantiga de Caetano, não adianta vir com “as cores de sua predileção”. Faz parte do folclore, da alma da bola. Alguns que posam de racionais dizem que isso é descabido, que a ecologia é verde, que há lindos mares esverdeados, que verdes são os olhos da linda mulata. Sim, mas para o corintiano, o uniforme é sagrado, não deve carregar a identidade do seu maior oponente. É identidade, o que faz a vida, a cultura, a sociedade ter relevância, sentido.

Lima Duarte, no impagável filme “Boleiros”, atuando como técnico palmeirense logo alerta a mocinha vivida por Marisa Orth. que andava a saracotear pela concentração na véspera de um dérbi a mexer com os hormônios de um craque: “A senhora não sabe o que é um Corinthians e Palmeiras!”. E Adriano, pelo visto, por ora também desconhece.

O hino do Santos logo começa dizendo que é “Alvinegro da Vila Belmiro!”. Os palmeirenses cantam: “Quando surge o alviverde imponente!”. São paulinos logo entoam: “Salve o Tricolor Paulista”. Hinchas do Boca berram: ‘Tu bandera azul y oro’. As cores, no fundo, deslizam pelo sangue dos torcedores. Elas são o significado, a significância de uma paixão. Não é pouca coisa, é zelo pelo sagrado, pois assim são chamados pelos fervorosos seus mantos: sagrados. Logo, levar para o terreno de jogo os matizes rivais é uma ação profana, uma heresia! O colorido do futebol merece reverenciar o seu!



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