Felipão fala e pode ensinar muito a Tite



Certo dia, revoltado com um perfil satírico a ele no Twitter, Tite esbravejou: “É um vagabundo quem faz isso. Vai encontrar coisa melhor para fazer…” Ao ler a notícia, confesso, cocei os olhos, incrédulo. Não, aquele não era Adenor Leonardo Bacchi! Pelo menos eu não suspeitava desse seu lado, digamos, mais “popular”. Surpresa que também me assaltou quando vi o próprio gesticulando para o conterrâneo Felipão, à beira do gramado: “Fala muito, fala muito!”

Simplicidade não é praxe nos discursos de Tite. Por isso o meu susto nessas duas ocasiões! Nas entrevistas coletivas, ele arregala os olhos fatigados para o interlocutor e, com pausas infinitas, dá respostas pomposas, que me remetem por vezes a esses pastores da madrugada televisiva e por vezes aos gurus de auto-ajuda. Sempre me pergunto: será que esse discurso cola com os jogadores? Porque se é verdadeira essa coisa de que a boleirada gosta de jargões, palavrões e malícia acho que o técnico esbarra no decantado “trabalho de vestiário”. E isso reflete na sua trajetória acidentada.
Tomemos o caso de Felipão, que, para Tite, “fala muito”. Um reconhecido mérito do técnico palmeirense é ser natural no palavrório, passar a mensagem sem ruídos. A sua informalidade cativa, enquanto a formalidade de Tite congela o ambiente. E esses detalhes fatalmente fazem muita diferença.

André Villas-Boas, promissor técnico do Chelsea, disse outro dia que estratégia de jogo é apenas um pingo no trabalho. Há inúmeros fatores envolvidos no sucesso de uma equipe, muitos deles humanos. Se o comandante não se faz entender pelos comandados, um abraço! Suspeito que esse possa ser o calcanhar de Áquiles de Tite. E, no caso de Felipão, é a sua carta na manga. Mesmo que fale muito!



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