Era (quase) uma vez um tempo divertido



Túlio sempre foi um xavequeiro. Não me refiro à sua abordagem com as mulheres, pois desconheço sua atuação nos ouvidos das fêmeas, mas à sua capacidade de vender peixes maiores do que eles realmente são. É uma espécie de Dadá Maravilha mais articulado, a torcer e retorcer adjetivos para nos convencer de quão sua estrela esmerilha a cada gol. O verbo vai no presente porque, embora tenha 42 anos, idade anciã para um atleta da bola, segue jogando futebol profissional. E sua carreira arrasta-se em campo para servir a uma obstinação, com a qual, confesso, simpatizo: chegar a mil gols na carreira. Conta de sua intimidade, bem particular, mas que com a tal lábia tenta tornar pública. E quem já se acostumou com seu humor sabe que ele quer é fazer “auê”, sem importar-se com oficialismos de escritório.

No quinto tempo da prorrogação, Túlio, que começou a jogar profissionalmente em 87, quando o Brasil ainda nem tinha retomado eleições diretas para presidente, assinou contrato com o Bonsucesso, do Rio de Janeiro, a fim de dar oxigênio à sua folclórica meta. E na apresentação já desfilou sua prosa política e auto-confiante: “Sou um cara vencedor, venho pra um clube vencedor e almejo grandes sonhos.”
Faça-se justiça: Túlio foi, no auge, um bom atacante, dominando cada centímetro das grandes e pequenas áreas. Não à toa, conduziu o Botafogo ao título brasileiro em 95 e chegou a defender a Seleção Brasileira.

Mas neste momento em que o futebol vive sob as rédeas danosas do politicamente correto, importa mais exaltar sua comicidade. Vemos filas de jogadores enquadrados como soldadinhos de chumbo a despejar recordes de frases feitas por minuto. Foi-se o tempo em que jogadores incendiavam jogos com humor. Agora, o máximo que fazem é disputar partidas de videogame em programas matinais.



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