Jovens, rebeldes e sem nenhuma causa



Virou moda! O jogador, com talento ou não, mal deixa as fraldas de lado nas categorias de base e, diante do primeiro “não”, bate o pé, faz biquinho e chora: “Não fui valorizado, vou-me embora!” Parece aquela criança que ao ter pela mãe negado um brinquedo no Natal rola no chão aos berros, como se coitadinha fosse. Com a enorme diferença que há entre ambientes domésticos e de trabalho. Esse chororô precoce é uma rebeldia que fala muito sobre a era em que vivemos, com os clubes dependentes da revelação de jogadores e os empresários patrocinando uma lavagem cerebral em cabeças que buscam alguma (de) formação. Outro dia Jean Chera (não, ele nunca apareceu em transmissões dominicais da Globo!), um guri pescado pelo Santos anos atrás após mais um desses vídeos editados mostrar firulas nulas, bateu em retirada do clube sem nenhuma atuação pela equipe principal sentindo-se injustiçado. Isso mesmo: sem NENHUMA atuação pelo time profissional. E eis que na saída usou justamente o tal gasto verbo desvalorizar, como se fosse ele barris da Petrobrás ou espirais de aço da Vale a quebrar cotações na bolsa de valores e mexer com o humor dos mercados. Valorizar o quê, cara-pálida? O que o rapaz fez pelo Santos, agremiação tricampeã da Libertadores e com oito títulos nacionais, até hoje? Só podemos rotular isso de non sense total, perda completa da percepção de realidade. Digno de filmes surrealistas O sujeito busca valorização antes de exibir as primeiras cores de suas plumas, que ele julga raríssimas, suponho. E não foi um caso isolado, mas um exemplar entre milhares nos últimos meses.

Henrique, artilheiro da Seleção Brasileira Sub-20 no Mundial da Categoria (competição que, se olharmos, não tem feito muita gente vingar na carreira), inflamou-se com seu desempenho na competição de jovens. Mal pousou no Brasil e já meteu a boca no trombone: “O São Paulo não me valoriza, prometeram que eu jogaria”. Esperou momento estratégico, não? Difícil achar que agiu sem maquinações nos ouvidos. É claro que foi programado para rachar por vozes que o cercam. No dia seguinte, em vez de reapresentar-se ao São Paulo estava em programa esportivo importante desancando mais ainda. Parece ser um bom menino até, mas perdeu-se no ego e nos cantos de sereia empresariais. Caso contrário, antes de esbravejar em público procuraria a direção tricolor para bater um papo e expor suas agruras. Teria o trunfo do que fez na Colômbia.

Humanos, desde a Grécia antiga, buscam a valorização de seus dotes (mesmo que eles só existam em suas mentes férteis). Precisam de elogios e, mais ainda, fortuna. O futebol, com suas promessas de luxo instantâneo e brilho midiático, fazem de brisas ruidosos vendavais. O sujeito nem pulou do berço mas já se sente maioral. E, pior, tem a seu redor a companhia de hienas, que salivam por suculenta carne, a fazer-lhes a cabeça. A equação inverteu-se vertiginosamente. O clube, de vitrine, passou a ser visto como súdito dessa rapaziada. O sucesso sobe à cabeça antes de tornar-se um fato. De pires na mão, dependentes que são da venda de jogadores, os grandes times brasileiros, quase todos centenários, veem adolescentes subirem o tom de forma despropositada. Alguma coisa está fora da ordem!



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