Os espinhos já ferem Mano Menezes



É, Mano Menezes, achavas que tua vida na Seleção até a Copa do Mundo seria bucólica como os teus pampas natais, né? Sem precisar disputar Eliminatórias, incumbido pelo manda-chuva perene de renovar a equipe, pensavas: Bah, poderei fazer um trabalho a longo prazo, sem pressões imediatas por resultados, e assim deixar o time prontinho pra hora que interessa! Pois é, meu caro, só que a realidade tem dentes mais afiados que a ficção. Bobeou ela nhac!, dá uma mordiscada dolorosa. Desde que os primeiros ajuntamentos formaram um time pátrio é assim: precisa mostrar serviço. Teste é para vestibulandos. Em um ano à frente do Brasil já sentes as cornetas altas a fustigar teus tímpanos (estarão eles também adaptados ao mundo do Midia Training que gostas tanto?).

Parece fazer sentido a cobrança por um melhor futebol e vitórias minimamente convincentes. Se na Era Dunga os triunfos ajudavam a abafar os coros descontentes, agora os jejuns reverberam o grito dos insatisfeitos. O Brasil, além de um fiasco cômico na Copa América, em demonstração de como não se bater pênaltis, não consegue uma mísera vitória contra os ditos gigantes do futebol global. Um empate com a vice-campeã mundial Holanda e derrotas para Argentina, Alemanha e França deixaram as piores impressões possíveis. Os monges pedem paciência, pois o trabalho ainda está em estágio de semente. Mas os atentos ficam irritados porque a reboque dos maus resultados vem uma filosofia que pouco arejou-se quando comparada ao período do treinador anterior. O Brasil, em vez de domar a bola, acarinhá-la, como fez em seus tempos mais felizes, segue fissurado em contra-atacar, como havia sido nos quatro anos de seu antecessor. Ou seja, o estilo, que deveria mudar, está sendo preservado e, de quebra, com resultados piores.

A teimosia, característica etiquetada no peito de treinadores da Seleção desde os tempos de Píndaro de Carvalho, tem também sido sua fiel escudeira. A insistência em André Santos como titular absoluto da lateral-esquerda é o ápice disso. O alijamento do arisco Hernanes, volante que poderia dar liderança e qualidade ao meio-campo nosso, é outro ponto incômodo. Desconfia-se, com carradas de razão, que fazes isso por causa da tola expulsão do chamado “Profeta” no amistoso contra a França. Essa intolerância pode salgar demais teu peixe. Ao empurrar Ganso para o banco de reservas contra a Alemanha também pareceu que fostes tomado de assalto pela precipitação. Afinal, se é para deixar os novos talentos irem adquirindo familiaridade com a Seleção não é natural que insista-se um pouco em mantê-lo? Ainda mais quando não temos jogadores que façam articulação inteligente por aqui. Cristianizar pode ser uma saída mortal, a crucificação de quem pode ser nosso futuro.

Essa tua tranquilidade ao responder às perguntas, com os lábios recostados e a testa pouco franzida, dá um ar de sabedoria que preocupa. Com os resultados ruins espera-se um pouco mais de volúpia e menos fleuma, talvez. Teu caminho já encontra pedras espalhadas. Tomara que delas desvies, mas para isso precisa mostrar um pouco mais de convicção e colher resultados contra gente grande!



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