O Sanatório Geral do Brasileirão



Não é futebol, é hospício. Abre alas pra loucura passar! Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe. Os fatos estão aí, a escarragar-nos quão maluca a coisa anda pelos relvados brasileiros. O Santos, tido e havido como o melhor time brasileiro, campeão inconteste da Libertadores, amarga a zona do rebaixamento. Seu técnico, decantado como especialista em cadeados defensivos vê a defesa ser violada orgiasticamente pelos adversários. Dez gols em três jogos! Ganso, outro dia comparado a gênios do quilate de Zidane, sofre de apatia crônica desde a passagem pela Seleção na Copa América. Nem mesmo os brilhos frequentes de Neymar têm evitado os deleites adversários. Elano, que no começo do ano foi pintado como contratação alvissareira, tropeça nas próprias pernas e mente e inexiste nos jogos. Uma cadeia de abilolamentos sem fim. Se essa maré é duradoura ou não, difícil prever. Mas é de esquizofrenia a ser catalogada pela medicina.

No cordão da loucura atual também engaja-se o Corinthians. Quatro rodadas atrás era o time que passeava no Brasileirão, de binóculos à procura dos rivais e tomando picolé na boa. Sinalizava a pretensão de conquistar o título com rodadas de sobra. No popular, com o pé nas costas. Tite havia deixado a equipe azeitadinha, letal. Vitórias em geral eram econômicas, porém sem margem a contestações. No entanto, como estamos nas frias paredes de um manicômio, duas derrotas seguidas e uma vitória suadíssima contra o lanterninha tornaram as visões mais turvas. Já não é um trator a ir esmagando adversários, o motor corroeu um pouco e, embora ainda líder, perdeu a pinta altaneira de outrora. O goleiro Julio Cesar, contestado pela Fiel, agora faz uma falta constrangedora. Quem diria… Porém, registre-se, respeitando o regulamento do Sanatório Geral em que se transformou o Campeonato Brasileiro: em poucos dias, ou semanas, tudo pode mudar. Inferno pode ganhar tonalidades de céu. E a morada divina pode receber visita diabólica. Nenhuma opinião parece se sustentar, falta cálcio e ferro aos palpites diante desse monstro do imponderável.

Mas e o que dizer do Flamengo, time que simplesmente ainda não sentiu o gosto salino da derrota? Era o rei dos empates, lembram-se? A invencibilidade era sinônimo de fatalidade, um time desalmado que logo logo agonizaria diante de suas limitações. Pois desde uma vitória de encantos sobre o Santos os rótulos mudaram. Vieram mais dois triunfos robustos e a equipe passou a ser a preferida dos pitaqueiros (por pitaqueiros entendamos todos nós, reles mortais!). O símbolo da inversão desses papéis é Ronaldinho Gaúcho, que pouco tempo atrás era vaiado pela torcida e parecia enfastiado do futebol. Vanderlei Luxemburgo, classificado de técnico passadista, sem glórias presentes, volta ao púlpito do momento. Loucura, loucura, loucura, diria famoso apresentador global!

Há ainda o exemplo do Palmeiras, que na Copa do Brasil levou uma bordoada secular do Coritiba e, de lá para cá, aprumou-se a ponto de estar na briga pelo troféu. Um time encardido, que vende caro a derrota, com um comando disciplinador e detalhista de Felipão. Uma equipe que vive problemas circenses na direção, com o protagonismo dos jogadores mais importantes, mas que teve no técnico seu bombeiro. Mais um caso que o sanatório abriga sem choques elétricos ou clínicas de reabilitação.

Poderiam também entrar no sanatório o Internacional, que em pouco tempo abraçou e cuspiu no ídolo Falcão. Ou o Cruzeiro, de momentos alucinantes no início da temporada e falta de combustível agora. Ou o São Paulo, de vitórias entusiasmantes, como as contra Inter e Coritiba, e escorregões imprevistos, tais como contra Atlético-GO e Vasco.

Todos sejam bem-vindos ao Sanatório Geral do Brasileirão. Em breve mais pitadas de loucura!



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