Vida longa à nova Celeste!



Há um charme irresistível nesse renascimento da seleção uruguaia. Os centuriões que me desculpem, mas romantismo é fundamental nessa vida cada vez mais consumida pelo concreto. Uma nação minúscula, alojada no meridiano do continente sul-americano, com população pouco maior que a da Baixada Santista, que consegue há quase um século destacar-se no panteão do esporte mais popular do mundo. Nação essa que viu seu jogo perder o viço, ficou anos jejuando, e que agora, com um trabalho bem conduzido por um maestro, o já mais do que conhecido Oscar Tabarez, vê seu azul celeste recuperar o tom. Um retorno simpático e, mais importante, planejado, que conta com comprometimento de um punhado de homens talentosos e guerreiros.

A quarta colocação na Copa do Mundo da África do Sul, após classificação a duras penas nas Eliminatórias, dera a impressão de casualidade. Um ano depois, o título da Copa América mostra que o erro dessa avaliação. Havia ali um grupo, um sentido, uma expressão de qualidade. Atacantes de ponta, em clubes importantes da Europa, tais como Luis Suarez, Cavani e Forlan, marcadores intimoratos, com sangue na testa, do gênero de Arévalo Rios, Alvaro Pereira, Lugano e Maxi Pereira, e a condução elegante, de poucos gestos caricatos, do senhor Tabarez.

Por muito tempo era preciso soprar as páginas dos livros para afastar a poeira e ler histórias do bicampeonato olímpico, do primeiro título mundial e do Maracanazzo, pai do nosso sofrimento original. Imagens escassas, de visibilidade péssima, eram testemunhas de um tempo glorioso do futebol uruguaio. Um ou outro espasmo, todos eles sim regidos pelo lado fortuito, como o título da Copa América de 95, jogada em solo pátrio, ou a final da mesma competição quatro anos de pois, no Paraguai, nos faziam lembrar que os charruas ainda existiam com a bola nos pés. Agora não, a cadeia se fortaleceu. Até mesmo no terreno clubístico, com o Peñarol vice-campeão continental. O segundo lugar no Mundial sub-17, a classificação para um degrau acima, no sub-20, e a vaga olímpica em detrimento da Argentina dão cimento para essa nova era.

Vida longa à nova Celeste!



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