Ganso e Neymar sob os quilos da pressão



Esperava-se muito da dupla Ganso e Neymar na Copa América. Viu-se pouco, apenas fagulhas de talento, dos jovens virtuoses em judiados gramados argentinos. Os guris já passaram do estágio de promessas, principalmente após a conquista da Libertadores, mas ainda assim estão com a tez verde e precisam de tempo para amadurecer. É preciso ter paciência e não jogá-los nas ardentes fogueiras expiatórias. E, mais ainda, urge reconhecer que a camisa da Seleção Brasileira pesa toneladas em quem a enverga, principalmente nos debutes. E, por favor, evitemos nessas horas lembrar Pelé, ser de outra galáxia, para dizer que na fronteira da adolescência com a maioridade é possível assombrar mundos. Chega a ser covardia recorrer a outras dimensões, e o Rei do Futebol é de outra esfera, para cobrar os de carne e osso.

Nos jogos era visível o assombro de Ganso. O meia clássico, de toques sutis e certeiros, efetuava passes mortos, em pés rivais. Claro, deu uma ou outra assistência, mas seu rendimento em geral ficou degraus abaixo do que vemos no Santos.

Neymar, por sua vez, estava com o drible envenado, como se a ferrugem, natural com a passagem do tempo, antecipasse em alguns anos sua ação limitante. Os dois gols contra o Equador não compensaram os vários perdidos nos outros jogos. A perna do garoto pesou sob o chumbo da responsabilidade.

A história do futebol brasileiro é um fardo para talentos nascentes. Acostumados que estamos a habilidosos e técnicos jogadores verstindo o manto nacional, de Garrincha e Pelé a Ronaldo e Rivaldo, não suportamos, torcedores e críticos, a ideia de um time mais obreiro, menos fantasioso. É em nome dessa tradição que quem depressa cintila é atirado aos leões com a missão de perpetuar nossa grife.



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