Abaixo as cusparadas nos gramados!



Sempre me impressionou esse hábito escatológico de jogadores cuspirem no gramado. Durante os 90 minutos de jogo e seus acréscimos é um festival de salivas flutuando das bocas dos boleiros em direção ao pobre relvado. Se cada contendor despejar uma bolota hídrica a cada cinco minutos teremos em média 180 gomos líquidos a surrar o campo de jogo por partida. Haja irrigação! Imagino pequenos lagos orgânicos formando-se em trechos do campo e misturando-se em orgia “cúspica” para ocultar a identidade do autor. Claro, se forem fazer testes de DNA em meio a esse pequeno Nilo futebolístico para verificar quem mais solta perdigotos durante os jogos será de difícil apuração, pois está tudo mesclado. E é uma injustiça, tendo em vista que há cusparadas mais robustas e outras singelas, que molham menos o terreno de jogo.

É curioso que com a overdose de jogos na televisão podemos ver que no mundo inteiro cospe-se industrialmente no futebol e não há distinção étnica. Brasileiros cospem, assim como argentinos, marfinenses, mexicanos e até ingleses, que nessas horas de lordes não têm nada. É quando a civilização vai para o vinagre, com primeiro, segundo e terceiro mundos unidos no despejo de excedente aquoso. Alguns atletas, inclusive, elevam a nojice a níveis agudos e, enquanto cospem, acariciam os chamados países baixos em exercício público de macheza (ou seria coceira crônica?). Um gesto que pode ser lido como forma primitiva de inibir o adversário. E assim, enquanto famílias fazem a digestão do almoço dominical acompanham essa demonstração de intimidades cruas.

O despudor dessa prática é tão grande que imagens de TV já flagraram cusparadas mal dadas, com pequenas babas resvalando no queixo e laterais do rosto de jogador e ele, com naturalidade espantosa, limpando com a manga da camisa. Um festival de horrores! Uma foto chegou a flagrar o chuveiro em pleno ar, em imitação viva das Cataratas do Iguaçu. Uma manifestação de natureza à frente de placas de publicidade com marcas que pagam milhões pelo espetáculo, uma contradição entre o capitalismo e o animalismo (embora já tenham dito que o homem é um primata no capitalismo selvagem). Aposto que se um funcionário de qualquer empresa chegar no escritório soltando cuspes (para alguns, guspes) será demitido por justa e higiênica causa.

O paradoxal é que se um jogador cospe na cara de outro profissional cometerá um insulto capital. É uma indignidade receber a saliva de outrem na face. Até hoje nos momentos infames da carreira do ex-meia Neto, ídolo corintiano, constam imagens de sua cusparada na cara do árbitro José Aparecido de Oliveira em um dérbi contra o Palmeiras. Por outro lado, jogadores rolam em uma camada de resíduos humanos após sofrerem falta e aí tudo bem. Creio que nem lembram que ali há o mel do palato coletivo. Os homens de bom senso dirão que no primeiro caso a agressão é simbólica, enquanto no segundo não existem sinais de violência. Pode ser, porém o mau gosto sanitário é o mesmo!

Sempre tive para mim que esse hábito é um ritual cultivado desde as categorias de base. Jogador que não cospe não chegará a profissional! Assim, os jatos fazem parte do protótipo de jogador feito. E veja, isso é bem peculiar ao mundo futebolês. Talvez a presença da grama seja um atrativo, já que aqueles fiapos verdes são um convite à ordem natural das coisas. Sem contar que escondem entre suas folhas as salivas coletivas. Não dá para imaginar essa pratica no vôlei, disputado em quadra. Imagine os sextetos cospindo na quadra após cada ponto definido? No primeiro set teríamos o piso encharcado de sucos individuais e seus afluentes, transformando as partidas em charques salivares. Se já vemos aquelas mocinhas e mocinhos limpando a quadra de tempos em tempos, com essas inundações o trabalho seria triplicado!

E mesmo em outros jogos na grama esse procedimento inexiste. No futebol americano nenhum quarterback metralha saliva entre as hastes de seus capacetes protetores. No tênis, até há jogador que ajeita as cuecas, caso do espanhol Rafael Nadal, mas a elegância da modalidade impede o protagonismo dos cuspes. Já pensou se a cada ace Roger Federer se desfizesse de uma parte de suas mucosas? E no futebol feminino as meninas preservam a graciosidade e engolem em vez de expelir.

Um tempo atrás, o governo chinês passou a multar os cidadãos que torpedeavam suas salivas nas ruas, avenidas e outros logradouros públicos. O hábito cultural dos moradores de Pequim, Xangai e outras cidades pegava mal na exposição da imagem da nova potência econômica para o mundo. Era preciso civilizar os modos da população. Assim, os mais de um bilhão de habitantes passaram a ter que andar com saquinhos, como esses que os donos de cães carregam para coletar as fezes de seus bichinhos, para depositar neles suas reservas oriundas de linguas e bochechas. Bem que a Fifa podia adaptar essa regra para o futebol. Os jogadores que não conseguirem conter as cuspidas poderiam ir à lateral do campo, como fazem quando querem matar a sede (e também, raivosamente, cospem uma parte da bebida após bochechar), e pegar, com alguém da comissão técnica, um pequeno recipiente para receber as incontinências bucais. Haveria um para cada atleta, com etiqueta registrando o nome, sobrenome. E assim, as gramas sofreriam menos com artilharias salivares e nós, espectadores, deixariamos de assistir às repugnâncias explícitas.



  • Emilia

    Finalmente alguém fala desse assunto escatológico, as cusparadas deveriam ser banidas do futebol juntamente com o Ricardo Teixeira, e se não for pedir demais, os cabelos escrotos, sou “sou brasileiro com muito orgulho com muito amor…

  • gubber Bittencourt

    Nos dias de hoje existe uma quantidade desproporcional de Jornalista em relação a quantidade de noticias e por isso estes ficam criando polemicas e criticando cada vez mais coisa mais insignificantes.
    Como se a graça do futebol estive-se em sua etiqueta. Para quem gosta de esportes de comportamentos exemplares temos o golf, tênis, Croquet entre outros esportes chatos e maçantes.

  • Felipe

    Estou de acordo com a Emilia, esta musica “sou brasileiro…” É a coisa mais chata, ridicula e brega que se ouve nos jogos do Brasil. Como a cusparada que é um asco, esta musica deveria ser banida…

  • Vicentinho

    A cusparada mais certera que eu ja vi foi la de Chilavert na cara de Roberto Carlos.Este tipo de cusparada certamente é reprochable.Mais tratar de comparar o futebol con o tenis ou outros deportes me parece absurdo.Ao fianl todos eso ricaços que aparecem en Wimbledon o Roland Garros son gente que mais bem parecen salidos de las tiendas de Champs Elysees.Futebo é outra coisa…é povo mesmo.Si se preoucupam por una salivada,ja se van a queixar por o “nojento que é a transpiraçaô dos jugadores.Por favor, o melhor seria escribir un blog sobre o Sao Paulo Fashion Week.Lá a gente é fina, charmosa é nao cuspem como os “bregas” do futebol.

  • Wil

    Eu entendo que cuspir eh sim um mal habito
    agora ficou bem claro que o author deste artigo ou nunca praticou esporte no qual se faz uso intenso de atividade aerobica, e no qual para se recuperar o folego respira se intensamente com a boca via nasal nao eh suficiente. De uma pesquisada sofre o mecanismo respiratorio. Alem do que voce diminui a temperatura corporea usando esse processo mais eficiente quando adicionado ao suor.

    Experimente correr por 20 minutos e com a boca semi aberta e percebera a criacao intensa de saliva. Embora seja sim obvio engolir a propria saliva, veja como voce se sente apos fazer isso apos algumas vezes durante sua atividade aerobica. Parece que o corpo nao quer engolir e voce ficara com a saliva na boca com vontade de livrar se dela.

    Concordo que seja um mal habito mas apenas ate um certo ponto. Todavia deve se ver alem de criacao no berco em certos casos.

    Artigo mediano deveria ter visto se havia outras razoes para tal habito.

  • adelino

    como faco para enviar para o meu facebook?

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