Kleber e Tevez, os irmãos siameses da bola



Torcedor gosta é desses caras que brigam pela bola em ato final, espécimes raras nos espaços de grama. Jogadores que, esbaforidos, não abdicam da jogada e nem metem as mãos na cintura em ato de resignação após lance morto. Sujeitos como Kleber e Tevez que, mesmo envoltos em polêmicas semana sim, semana também sim, são amados pelas massas por esboçarem luta inesgotável quando a bola rola.

Ambos são touros loucos. Parecem ver panos vermelhos a atiçá-los em todos os cantos do gramado e para eles, babando, apontam os chifres como se não houvesse amanhã. Fora dos campos, adoram a controvérsia, a irracionalidade, vivem de mãos dadas com a insatisfação. São anti-heróis que não querem saber de papo com a calmaria, ela os entedia.

Esses irmãos siameses do jogo de bola, unidos pelo tronco da gana sanguínea, subiram ao palco juntos nesta semana, bulindo com as paixões das massas. Carlito, que fez golaços pelo Corinthians que honram a arte do quase homônimo personagem de Charles Chaplin, ensaia um retorno para os braços da Fiel. Já o Gladiador, talvez em delírios de arenas na Roma Antiga, envolveu-se em controvérsia maluca com a diretoria do Palmeiras e soltou cobras e lagartos contra um diretor.

Essa dupla é prova viva de que a paixão afaga os vícios. O sangue que ferve nessas veias provoca ebulição em quem torce por eles, cegando os erros. Nem mesmo os pés corintianos a chutar o carro de Tevez apagaram o apego. E, ao que parece, as reticências de Kleber pelo salário que recebe não esgotaram (ainda!) seu crédito com a torcida alviverde. Dois exemplares de que a memória sentimental tem um peso decisivo no esporte. Mais ainda quando se trata de jogadores que, nas partidas, fazem de cada dividida a defesa do pão das massas.



MaisRecentes

Recortes do precário futebol brasileiro



Continue Lendo

Rica em talentos, França rompe com paradigma recente



Continue Lendo

Espanha morre abraçada ao ‘tiquitaca’ odiado por Guardiola



Continue Lendo