A longevidade que o talento permite



Rivaldo precisa de um palmo de terra para seu talento se expressar. Se a idade avançada para o jogo de bola o impede de disparar em desabalada carreira no rumo do gol, os dotes técnicos permitem que ocupe uma glebinha com fortuna. É muito útil, pois a categoria permanece ali, intacta. Contra o Cruzeiro mostrou que seu reiterado discurso era verdadeiro: Pode contribuir, e muito, para o São Paulo sair do atoleiro. Carpegiani não achava e deixava o campeão mundial de 2002 em úmida gaveta. Pouco usava o rapaz.

Quando nos impressionamos com os passes exatos de Ganso, com quase nenhuma detenção da bola, podemos ver isso também traduzir nesse novo Rivaldo, já velho na pirâmide etária do futebol. Porque agora ele faz como outros craques fizeram quando o sinal da agonia física chegava: movimentar-se em um trecho do campo e, com a capacidade de antevisão, servir os companheiros a todo tempo. Já me vem à cabeça o ex-atacante Evair, que nos últimos atos de sua trajetória profissional, trocou a artilharia que o consagrou pelo engenho da assistência.

O torcedor são-paulino mostra a sabedoria que alguns profissionais carecem. Pede Rivaldo jogo após jogo, na convicção de que se pode esperar mais de quem tem domínio do ofício do que de um punhado de incógnitas. Porém, técnicos comumente fazem ouvidos moucos para os sopros da platéia. Talvez para mostrarem-se originais ou talvez pelo receio de serem ofuscados. Especular, neste caso, é perda de tempo. O fato é que das arquibancadas muitas vezes vêm o coro da razão, por paradoxal que possa ser, já que associamos o torcedor à paixão mais desbragada. É preciso fazer a leitura correta e captar a essência popular.

O futebol praticado dentro de nossas fronteiras têm limites técnicos que possibilitam a grandes artistas estenderem suas apresentações por aqui. Romário foi artilheiro do Campeonato Brasileiro em 2001 quando já estava avançado nos anos. Ronaldo, mesmo com muitos quilos excedentes, conduziu o Corinthians a dois títulos em 2009. Juninho Pernambucano em apenas dois jogos já mostrou que salário simbólico do Vasco será injusto. E outros exemplos poderiam ser dados sem muitos esforço mental. O craque vai perdendo para o tempo, mas o talento está lá, em seu sangue, sempre pronto a uma exibição a mais, a um convite para uma última sessão!



MaisRecentes

O Grêmio não enfeitiça os anseios de Tite



Continue Lendo

Alemanha x Brasil: aprendizado por linhas tortas



Continue Lendo

Messi ameaça driblar o tempo



Continue Lendo