A divina comédia de Carpegiani



Loucura, loucura, loucura, diria famoso apresentador bem casado! Paulo Cesar Carpegiani viveu dias de insânia pura. Em dois meses pisou os pés no inferno, escapuliu para o céu e foi recapturado para as labaredas infernais sem passagem pelo purgatório. Poucas vezes viu-se tal salto na divina comédia que é o futebol. Na ponta do precipício após eliminação para o Avaí na Copa do Brasil, ganhou sobrevida e cinco jogos seguidos de inspiração, simulando campanha faminta no Brasileirão. Mas a paz durou pouquíssimo e logo veio uma borrasca mais firme, no formato de três derrotas seguidas e a falta de perspectivas, de clima, toda aquela coisa típica desse mundo tresloucado do esporte do povo.

Esse batimento irregular em tempo curto fez o São Paulo estranhar-se, tendo de apalpar o chão em busca de sua velha identidade. Clube acostumado a estabilidades, o flerte com a oscilação tem sido uma constante. Dizem as más linguas que preocupações outras do presidente Juvenal Juvêncio, tais como a obsessão pelo Morumbi na Copa e as dribladas no estatuto para se reeleger, fizeram o Tricolor perder a direção. O curioso é Carpegiani ter supostamente obedecido ao “chefinho”, para lembrar antiga brincadeira infantil. Colocou um punhado de jogadores nascidos nos campos de Cotia como desejada há tanto tempo o grão-duque são-paulino. Rezou na cartilha determinada e afogou-se em suas folhas. O rumo foi o do samba, sendo pago com a ingratidão após ter dado a mão.

É verdade que Carpegiani, campeão mundial pelo clube de maior torcida do país há 30 anos, viveu três décadas às expensas desse único, e grandioso, triunfo. Se com o Flamengo de Zico partilhou um início glorioso, pastou anos a fio costurando o rótulo de inventor, como uma Penélope a esperar seu Ulisses. E assim tornou-se o pardal dos pardais, ao menos no conceito massificado. Nesta passagem melancólica pelo São Paulo, viveu com dinamites invisíveis. Às turras com Dagoberto, a quem chegou a chamar histericamente de “bobalhão”, não conseguiu resgatar o jogador do limbo (apesar de sabermos que o atacante parece preferir viver à margem do protagonismo). Com Rivaldo não comungou interesses mínimos, não soube aproveitar nem caldos de sua experiência e um tantinho assim de talento que ainda lhe resta. Até que o veterano meia colocou a boca no trombone ao dizer-se “humilhado” por tal situação. Quem veio defender o treinador em algum desses momentos? Quais seus apoiadores inequívocos? Você sabe, você viu?

Com a tripulação sem sintonia com o comandante a nave perdeu altura sem ter chegado a voo de cruzeiro. A diretoria tentou apertar os cintos até o limite e a respiração acabou. Tudo em pouco tempo, em dois relâmpagos meses.



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