Seleção Brasileira de plástico



Eles descem do ônibus às pressas como se buscassem, afoitos, um bunker para se refugiar de perigo desconhecido. Fones cravados no ouvido, provavelmente em volume decibéis acima do recomendado por médicos, caminham cercados de brutamontes a resguardá-los de inimigos não identificados. Será que membros da rede terrorista Al-Qaeda podem alvejá-los, difamadores do Islã? Ou então algum clone de Lee Harvey Oswald, assassino do presidente norte-americano John Kennedy, estará à espreita desses homenzinhos para dar o tiro de misericórdia em seus peitos?

Cabelos esculpidos a quilos de gel, outros descoloridos, essa rapaziada bronzeada dribla os microfones com mais leveza do que o faz com zagueiros rivais. Estão imersos no mundo da fama, onde a imagem vale ouro e as palavras valem lata. Os discursos são enfadonhos, repetitivos, inundados em clichês. É tudo no automático! Parecem marcianos vivendo em meio a terráqueos. Eis a Seleção Brasileira de plástico, que tem pouca noção de realidade e muito look pra exibir.

Contra a Venezuela, país dedicado ao beisebol, tentativas vãs de fazer gols bonitinhos. Toquinhos a mais, chutes de menos. Após o jogo, discurso de quem vive no mundo da lua. Um após o outro depondo para loucos: jogamos muito bem, mas a bola não entrou. Ah sim, a culpa é da esfera, uma vadia!

A pergunta que me açoita é: será que tantas propagandas sobre milagrosos cremes de barbear e vantajosos planos de minutos pelo celular estão afetando a franqueza dos meninos? E as propostas reais e fictícias vindas da Europa estariam seduzindo os rapazes como sereias ao anoitecer? Difícil não ver a Seleção atual como um punhado de talentos que se vestem de amarelo para exibir-se em reality show.



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