Messi sofre com as passionalidades de seu povo



Fez a fama, mas nem cogite deitar na cama! Messi, ano após ano, nos enche os olhos com futebol estonteante no Barcelona. Todas as noite de domingo os programas repetem às exaustão pilhas de golaços seus. Já na sua seleção pátria, à qual cismam dizer que não tem apegos maiores (foi muito cedo pra Espanha, por pouco não jogou nas bases de lá…), as maravilhas não se repetem. Não que ele jogue mal pela alviceleste. Na Copa da África do Sul mesmo deu umas arrepiadas, só que a bola, caprichosa menina, cismou em não entrar. A questão é que La Pulga instalou-se caninamente atrás das orelhas hermanas. A razão principal é patriotada pura, assunto no qual os argentinos são escolásticos: Precisa repetir o que faz na Catalunha quando defende as cores das tais Províncias Unidas do Sul, como canta o milongueiro hino.

O rescaldo do sem sabor empate com os brigadores bolivianos anuncia isso. Jornais locais cobram o camisa 10 em tom irônico. O Olé, diário esportivo conhecido por seus chistes, perguntou: Y dónde está Messi? Ora, ora, ora, esteve em campo, lutou, driblou, mas o fez em meio a uma nulidade de esquema tático do senhor Batista. A seleção argentina é uma bagunça institucionalizada. Um amontoado de classudos jogadores do meio para a frente que zigue-zagueiam sem lenço, sem documento. Tudo bem que o cara é uma pulga, mas mesmo as mais tarimbadas não podem pular sem que o cão se coce.

Tanto Messi fez um bom jogo, principalmente no primeiro tempo, que recebeu o prêmio concedido pelos hinchas, esses fervorosos das arquibancadas argentinas, como melhor em campo. Só que no Barcelona a produtividade cresce porque o time é uma engrenagem perfeita, onde todas as peças estão articuladas. Nas trocas entre Iniesta, Xavi, Messi, Villa e companhia posicionamentos se dão por música. Já no time de Batista, a incoerência dá o tom. Contra os bolivianos vimos Tevez, Messi, Rojo ocupando o mesmo espaço, enquanto havia buracos enormes do outro lado. Aí dificulta! Messi é um talento, mas não é Merlin, o mago da turma do Rei Artur, que com gesto simples faz as coisas fluirem. Os gênios da bola devem fazer do improvável algo real, não há dúvidas. Mas mínimas condições devem ser dadas a eles. Com a entrada de Aguero, outro virtuose, as coisas melhoraram um pouco. Messi parecia mais acompanhado, consolado na bola e na dor. Mas ainda foi insuficiente.

A tolerância dos compatriotas com Messi é baixa e a explicação escapa à razão. Ela está baseada muito mais nessa faceta meio estrangeira do menino, que, franzino, foi ganhar corpo na península Ibérica. E, no inconsciente coletivo da pátria do tango, é imperdoável a alguém dar mais leite para os outros que para os seus. Na tradução, eles acham uma espécie de trairagem do jogador fazer do Barcelona cada vez mais famoso e na sua seleção não produzir com a mesma robustez. Isso é entendido como desapego, desinteresse, e não como falta de condições para isso. Emocionalismo puro! Como é muito bem dotado tecnicamente, o rapaz pode ter lampejos e levar a Argentina a um título que não conquista há 18 anos. Porém, após o debute a impressão é que o lengalenga seguirá: Messi é um talento do Barcelona, mas na sua seleção é um fiasco. Futebol, a sala das injustiças eternas!



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