Antes da decisão, uma visita à história do Santos



Os jogadores do Santos deveriam, nestes dias que precedem a finalíssima da Libertadores, tomar um molho de história do clube. Sentados em poltronas de cinema, iriam ver projetar-se na telona imagens dos títulos de 62 e 63. Saberiam que estão prestes a conquistar diamantes eternos. Tomariam ciência definitiva de que na quarta-feira próxima poderão postar-se ao lado de lendas alvinegras.

Uma visita ao Memorial das Conquistas seria boa pedida para essa turma. Naqueles painéis, um guia, puxando o braço de Rafael, apontaria: Tá vendo aquele cara ali? É Gylmar dos Santos Nevez. Bicampeão mundial com o Santos e a Seleção Brasileira! Muitos o apontam como o maior goleiro brasileiros de todos os tempos. Mire-se nele, garoto. Você pode fazer o que esse monstro fez!”

Lá perto, Edu Dracena leria sobre a trajetória de José Ely de Miranda, o Zito, Eterno Capitão da Vila. Saberia que era o homem a estrilar com Pelé, dando pitos únicos “no negão”, conforme contam os antigos. O zagueiro olharia e teria a real dimensão do que está por atingir, um lugar em estante hoje só ocupada por essa sumidade santista. Durval, acompanhando o amigo de área, conheceria um pouco sobre o curinga Lima, ocupador de espaços nunca dantes ocupados. Tomaria chás de sua destreza, como um isotônico a fortalecê-lo para a decisão copeira.

Elano e Léo, dupla que já traz no sangue as listras branco e pretas, respirariam o ar da história que já compõem. Novos balões de oxigênio para o dia em que passarão de homens a mitos, numa transmigração imediata. Zé Eduardo, que vem sendo contaminado pela zica pestilenta, pediria bênção a Coutinho, companheiro quase siamês de Pelé nas tabelas sem fim e na estética semelhante. A urucabaca, então, pediria o boné na hora da decisão.

Para Ganso e Neymar, um passeio exclusivo pelos corredores sagrados. Para eles, a linha toda de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, inserindo nessa gama Pagão e seus dribles aéreos, segundo a definição de Chico Buarque. A linha das linhas, repetida até por crianças que engatinham. O conjunto que fundou efetivamente a glória alvinegra. A nova dupla de meninos ganharia assim o combustível derradeiro, a injeção que espalha confiança e. olhos nos olhos, diriam: “Somos predestinados como esses caras foram!”

Muricy, velho de guerra, veterano de conquistas, poderia, ainda assim, guiar-se pela fortuna de Alonso Perez, o Lula, multicampeão no comando daquele Santos dos anos 60. Espelhar-se em quem colocou os tijolos fundamentais e saber onde se está pisando.

Após olharem para trás, nesse resgate em que a história costura a identidade, os jogadores santistas estariam plenos, absolutos, conscientes de que irão escrever um capítulo novo em um livro que não é reeditado há 49 anos. Um novo evangelho santista, a ser descoberto por gerações futuras. E serão, cada qual a seu modo, apóstolos a professar



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