Amistosos da Seleção parecem uma quermesse



Não me venham com ame-o ou deixe-o! Nada de pátria de (ou, como dizia o mago Nelson, em) chuteiras! Sem pachequices, per favore! Torcida de jogos da Seleção Brasileira é um porre desses de ressaca perene. Talvez seja esse preço salgadíssimo do ingresso para um simples amistoso. Talvez a falta de empatia popular por um time formado, quase completamente, por gente que atua em continente outro. Talvez porque a dita paixão pela amarelinha, que fez Zagallo lambuzar-se no mel verde-e-amarelo, não toca na unha da que move os calores clubisticos. O fato é que nos jogos canarinhos os cânticos que vêm da arquibancada me lembram os jogos de vôlei (com todo o respeito a esse esporte tático). Essa marcha antinupcial do “Brasileiro com muito orgulho, com muito amor” é nauseante è beça!

Era Neymar tocar na bola para fãs histéricas soltarem seus gritos pontiagudos. Era show do Restart ou do Jonas Brothers mesmo o que se via no Serra Dourada? Enquanto o futebol mantinha-se adormecido em berço esplêndido, à luz do céu profundo viamos a antifesta. Aquilo não é clima de futebol, me desculpem os sensíveis enrolados nas bandeiras. Falta um elo de paixão mais boleira à nossa Seleção. Falta o que vemos em jogos do Brasileirão, quando há roer de unhas, músicas mais elaboradas, etc..  Aquilo que assistimos rotineiramente nas arquibancadas, em que a temperatura está sempre alta. Quando éramos os tais 90 milhões em ação, às sombras da ditadura, parecia que isso tudo valia mais a pena, como a dar um sentido para nossa vida de pátria carente. Agora, é o narrador evocando um sentido patriótico que não sobrevive a dois pingos de reflexão e desejos maiores.

E as vaias no epílogo? Filme velho! Acreditamos piamente que, em alguma tábua sagrada, está grafado: somos os melhores, temos sempre que dar espetáculo!  Cuspimos nas evidências em prol de uma soberba histórica.  Queremos ver a Seleção como um Dream Team. Se o time vai mal, as bruxas são caçadas de imediato. O craque, antes louvado, passa por malhação até de quem nunca viu um jogo completo! Aqui vai um pouco da bipolaridade nacional, que oscila entre a euforia circense e a depressão clinica. Vamos de melhor a pior num piscar de olhos.

É essa mistura de torcida de quermesse com humor variável que faz dos jogos da Seleção um ambiente externo à nossa realidade futebolística.



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