Obrigado, Barcelona!



Esse Barcelona, regido pelo Pep Guardiola, é coisa de cinema! Até esses moços intelectualóides devem dar o braço a torcer, para o bem da verdade essencial: o time catalão, com domínio perfeito da bola e tramas letais, eleva sim o futebol à categoria artística. Pode comparar aí com um filme clássico, uma ópera secular, uma pintura valiosíssima ou qualquer outra expressão. É arte pura o que essa moçada, em peso formada nas canteras barcelonistas, anda fazendo pelos gramados. É um estilo cultivado, uma maneira de conceber futebol que os aproxima da figura divina. Não é exagero não. Pois se o criador é o auge do que se pode ser, é isso que esse Barça tem! Um time que se pretende divindade!

A equipe trabalha a bola como se esculpisse a Vênus de Milos. É o coletivo acima de tudo, dando brecha para que o individual faça das suas. E, veja bem, não são só os virtuosos que o fazem. Ou acham que Puyol, Keita, Affelay e Abidal são craques da pelota? Pois essa turma, menos artística, também aprendeu a tocar a bola na direção correta e mover-se no campo nos espaços improváveis. Compõem a orquestra e não podem desafinar.

 É uma escola de arte, minha gente! É um estilo pregado messianicamente nos campos de treinamento barcelonistas. Os caras querem ser artistas e jogam como estivessem em um tablado de teatro, atuando sob as luzes da ribalta. Messi é o símbolo dessa magia. Ao lado de um punhado de espanhóis talentosos, tais como Xavi, Iniesta e Villa, o, ainda menino argentino leva um pouco do jogo de cintura dos milongueiros das esquinas de Buenos Aires para essa escola repleta de latinidade. Dribles curtos, com a bola pregada em sua canhota flexível, deixam os adversários tontos, perdidos como esses homens traídos pelo destino. Produz de tudo o minúsculo rapaz. Uma pulga a tripudiar de cavalos e bois.

É um futebol geométrico esse do Barcelona. É possível passar réguas e compassos em uma imagem congelada para flagrar quantos desenhos eles fazem. Tudo com facilidade espantosa, tratando a bola com a devida reverência. Para quem gosta do futebol-arte, o momento é de festa. Não sabemos quantas oportunidades teremos em vida de ver essas realizações todas. Nos resta tirar o máximo proveito.

Obrigado, Barcelona!



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